10 de junho de 2026

Lula resume videogames à violência e morte; fala generalizando jogos recebe críticas na web

"Não tem game falando de amor, não tem game falando de educação. É game ensinando a molecada a matar”, disparou Lula
Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Lula movimentou as redes sociais ao associar os recorrentes ataques de violência extrema às escolas aos videogames, rotulando-os como violentos e não educativos.

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Lula disse que os jogos eletrônicos influenciam diretamente no estímulo à onda de ataques ao chamá-los de “porcaria” e responsabilizá-los pela causa de mortes.

“Não tem jogo, não tem game falando de amor, não tem game falando de educação. É game ensinando a molecada a matar”, disse lULA.

A declaração de Lula ocorreu na terça (18), durante reunião com chefes dos demais Poderes, além de governadores e prefeitos, para discutir a violência extrema em escolas e anunciar recursos para o enfretamento. 

Lula argumentou que jovens passam horas jogando, sem limites de tempo para a atividade. Além disso, demonstrou contrariedade ao fato de haver, em jogos online, possibilidade de interação com estranhos, inclusive de outros países.

“Hoje a molecada joga com gente de outro país, passam noites jogando, e tudo isso resulta nessa violência no meio de crianças”.

É preciso cautela ao generalizar

O discurso de Lula gerou debates e reações negativas nas redes. No Reddit, por exemplo, as declarações circularam com críticas sobre o presidente ter uma visão pejorativa dos videogames, culminando em sua fala que generaliza os jogos.

Há poucas evidências científicas que associam videogames à prática de violência extrema. Desde que com uso moderado e supervisionado, observando-se ainda a classificação indicativa, alguns jogos podem até auxiliar no bem-estar e educação.

A gama de jogos educativos é extensa, como por exemplo, Lingo Legend e Gibbon: Beyond the Tress, além de jogos mais delicados e direcionados aos mais novos, e que podem, sim, espalhar “amor”, como Minecraft, Sky: Children of the Light, Peppa Pig, alguns jogos de Lego e talvez, Final Fantasy 10, para os mais crescidos.

O problema não é o exatamente o videogame

Em entrevista exclusiva ao GGN, a doutora em Educação e professora da Unicamp, Telma Vinha, explicou como os jogos podem estar ligados aos casos de violência extrema em escolas.

Segundo ela, o problema não é o videogame em si, mas sim o uso sem supervisão e, sobretudo, a interação que ocorre nos chats entre jogadores. Ali, crianças e adolescentes podem ser expostas ao discurso de ódio propagado por outros usuários, e podem ser facilmente aliciados e levados a comunidades extremistas em redes sociais como o Discord, onde a escola é alvo de ressentimentos, ataques e até planos violentos.

Filho de Lula: “videogame é muito mais que violência”

Nem mesmo o filho de Lula, Luís Cláudio Lula da Silva, poupou o presidente de críticas por causa da declaração com uma visão genérica dos videogames. O filho de Lula fez um tweet discordando do pai: 

https://twitter.com/LuisLulaDaSilva/status/1648445369033068544?s=20

Confira, abaixo, outros posicionamentos semelhantes:

https://twitter.com/essenariz/status/1648388483214462976?s=20
https://twitter.com/RomuloBDias/status/1646127731162202112?s=20
https://twitter.com/felipeneto/status/1645908682407030784?s=20

Outro lado

Por outro lado, internautas também deram razão parcial às declarações de Lula, ao reforçar que videogames, como toda forma de arte ou entretenimento, têm potencial, sim, de influenciar uma pessoa.

https://twitter.com/MulherTamarindo/status/1648445959733665794?s=20
https://twitter.com/historia_pensar/status/1648448127253483522?s=20
https://twitter.com/barbaragancia/status/1648654846625456130?s=20

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Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. Vladimir

    19 de abril de 2023 5:01 pm

    É toda uma conjuntura favorável a violência e,nete sentido,sim,o videogame também é um indutor.
    Hoje,já existem empreendimentos de alto padrão que estão disponibilizando espaço para lutas,lutas que fazem a “violência” do Boxe,por exemplo,serem vistas como brincadeira de criança.
    Tem sido normal vermos em parques e outras áreas livres esse tipo de ensinamento travestido de treino.
    Ninguém vai sair matando porque participou de um jogo de videogame ,de um treino dessas lutas ferozes u outro tipo de violência não factual. Não é isso. É a banalização conceitual da violência que passa,assim,a ser aceita,ainda que diga-se o contrário.

  2. Zinda Vasconcellos

    19 de abril de 2023 5:46 pm

    A questao nao é a de se TODOS os videogames incentivam a violência, isso claramente nao é verdade. Mas há muitos que o fazem, e, sobretudo, há pessoas nas redes de games selecionando jovens problemáticos para causar problemas, isso é parte da guerra híbrida que a extrema direita está travando. Essas redes tem sim que ser vigiadas, e, no caso específico da Discord, ser proibidas.

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