O momento em que os servidores públicos perderam sua alma

O MOMENTO EM QUE OS SERVIDORES PUBLICOS PERDERAM SUA ALMA

Não estamos longe de reviver a barbárie causada pelos efeitos de uma depressão econômica.

A aprovação da EC 95/2016, Lei do Teto, que engessa os gastos da previdência e da educação, a chamada Reforma da Previdência, que em termos reais acaba com a previdência e a assistência social, juntamente com a Reforma Trabalhista, a Terceirização e a entrega do patrimônio estatal com a consequente destruição da indústria nacional e seus empregos, prenunciam a vinda de tempos sombrios.

Mas não é só isso.

A falta de humanidade, de empatia, de solidariedade, talvez seja o pior lado desta maldade explícita, as pessoas só pensam em si mesmas, se elas serão atingidas.

Um retrato impressionante é o dos servidores públicos federais, notadamente os das carreiras de ponta, Judiciário, Ministério Público, Receita Federal, Fiscais, Previdência, eles estão vendo se avolumar a miséria, a precarização do trabalho, a destruição do sistema de previdência e assistência social e, em sua posição, ainda não desesperadora (mas, na realidade nada cômoda), parecem não se importar com isso.

E, tal posição,  é porque num primeiro momento não seríam os maiores prejudicados.

Os mais prejudicados serão os mais fracos, os mais necessitados, os excluídos por excelência,  a classe pobre, que luta para sobreviver e que, provavelmente com estas mudanças, seu destino será selado pelas negras trevas da fome, da doença e da morte.

Talvez, este instante, seja aquele onde os homens perdem a alma.

Depois, talvez, em seu momento mais solitário, se darão conta de sua falta de humanidade, e se encherão de horror ao se verem como protagonistas da tragédia, a plateia bem alimentada, que no Coliseu, via os cristãos serem devorados pelas feras.

Apenas um reparo.

Não se esta a pedir heroísmo, nunca foi esta a intenção, mas vocês nunca foram tão necessários quanto neste momento, para impedirmos esta trajetória rumo ao abismo.

Apenas deem o primeiro passo, não se escondam da realidade e se possível for, depois de vê-la em sua inteireza, façam suas escolhas, conscientes de suas responsabilidades.     

Um parênteses.

Quem quiser ver o retrato de uma sociedade esfacelada, pode encontrar isso – ou algo similar –  no filme Vinhas da Ira – , baseado no livro de John Steinbeck, ambientado nos Estados Unidos logo após a Depressão de 1930.

Entretanto, ate mesmo ali, naquele quadro deprimente, vemos pessoas, que sob intensa pressão, miséria e violência,  ainda assim, encontram forças para lutar por todos, pelos mais fracos, velhos, doentes, crianças, pelos que não tem quem lhes proteja.

Deste meio sai uma mensagem emblemática:

“Onde houver uma luta para que o povo faminto possa comer, eu estarei lá.

Onde houver um policial atacando um cidadão, eu estarei lá.

E quando o povo estiver comendo o que plantou e morando na casa que construiu.

Eu estarei lá também.”

(trecho do trailer filme Vinhas da Ira, de John Steinbeck, que mostra a extrema exploração das pessoas por ocasião da grande depressão na década de 1930 nos EUA).

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