Só regulamentação pesada neutraliza o poder destrutivo das redes sociais

A direita mundial achou uma fórmula imbatível até o momento para aumentar seu capital político durante o período eleitoral: o uso das redes sociais sem compromisso com qualquer limite ético ou com a verdade.

O Brexit foi o primeiro laboratório, depois os republicanos replicaram o modelo na eleição de Trump, e agora somos o laboratório para seu aperfeiçoamento.

A esquerda não tem resposta para isso, menos ainda um modelo alternativo. E dificilmente descobrirá uma forma equivalente em força e efetividade. Isto é, se a esquerda quiser manter seu discurso e suas campanhas dentro dos limites da decência e da honestidade.

A técnica consiste na disseminação de notícias, imagens e áudios para obter uma resposta de indignação e ódio ao adversário, em níveis nunca antes visto. É uma batalha psico-política que a propaganda convencional também consegue fazer. No entanto, a propaganda convencional é facilmente regulamentada, a autoria é facilmente atribuível e as consequências dos abusos mais custosas para seus autores.

A regularidade e o formato das mensagens das redes sociais usadas na guerra eleitoral deixam pouco espaço para acreditar que trata-se de um conteúdo organicamente produzido e distribuído pelos apoiadores dos candidatos. Há uma lógica no conteúdo e na forma das mensagens que sugerem algum nível de gerenciamento acima daquele nos quais os usuários individuais interagem.

É impossível superar, no quadro regulatório vigente, o abuso da mentira em rede, das mensagens milimetricamente elaboradas para obter uma reação que não se baseia mais na apresentação de ideias, na informação sobre os candidatos e suas propostas, na concordância ou discordância, na crença ou na descrença. As redes sociais nos períodos eleitorais agora servem para a manipulação do ódio e da indignação.

Não importa mais se o usuário das redes sociais acredita ou não na mensagem. A falta de credibilidade não impede, e às vezes até ajuda, a geração do sentimento de ódio, que é o objetivo final. Não importa o quão fraudulento é o conteúdo. Se o usuário achar um grão de verdade, seja no espírito da mensagem, seja na forma, seja no conteúdo objetivo, isso já é suficiente para despertar o sentimento desejado de ódio e indignação.

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Não parece haver outra solução se não a regulação pesada do conteúdo político em período eleitoral nas redes sociais. O que nos resta de democracia estará em escombros antes que qualquer medida efetiva de auto-regulamentação seja implementada.

 

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1 comentário

  1. Auto-regulamentação?

    De tudo o  que se auto-regulamenta pode se duvidar , pois que se move por algum interesse que não o da maioria.

    Se a regulamentação estatal ( a lei)  em tese, isenta e “erga ominis” , na prática é interpretada com hipocrisia máxima e não raro,desfavorecendo interesses comuns, o que não se dirá de gigantes bilionários se auto-regulando.

     

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