O maior lance de Aécio

Coluna Econômica

Ao anunciar sua desistência das prévias do PSDB para escolher o candidato do partido à presidência, Aécio Neves fez o seu maior lance. Pode ser que a desistência da candidatura seja definitiva. Mas o lance maior foi colocar em xeque o governador de São Paulo José Serra, obrigando-o a uma definição.

Aécio queria as prévias do partido agora; Serra, apenas em março. O que está por trás da indecisão de Serra, no fundo, nem é a presidência mas a liderança futura do partido.

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Serra não gosta de correr riscos. Sobre as eleições presidenciais, seu raciocínio é o seguinte:

1. Ele tem dois cargos à disposição: o de candidato à presidente ou de candidato à reeleição. Para o primeiro, as chances são menores; para o segundo, as chances são concretas.

2. Perdendo a disputa para a Presidência, no dia seguinte aposenta-se da política. O PSDB em peso vai para os braços de Aécio Neves. E São Paulo ficará nas mãos de Geraldo Alckmin – correligionário porém adversário.

3. Se se candidatar à reeleição por São Paulo, provavelmente leva, mas abrirá caminho para a candidatura de Aécio para a Presidência. Tornando-se presidente, no mesmo momento Aécio ofuscará para sempre a liderança de Serra que, até mesmo pela idade, não terá uma outra oportunidade de se candidatar à Presidência.

4. A lógica de Serra – segundo fontes ligadas à Aécio – consistiria em arrastar a definição do candidato à presidência até março. Lá, desistiria, se candidataria ao governo de São Paulo mas, pelo pouco tempo, inviabilizaria o candidato do PSDB. Com isso mataria qualquer possibilidade do PSDB ressurgir com uma nova liderança.

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A carta entregue por Aécio Neves – ao comunicar sua desistência das prévias – é um programa de governo consistente, um conjunto de princípios capazes de fazer renascer o debilitado PSDB.

Primeiro, mostrou a importância das prévias para revitalizar a prática política do PSDB, um partido que, devido às constantes decisões autárquicas da cúpula, perdeu complemente contato com suas bases.

O segundo ponto era buscar um perfil mais amplo de alianças. Em seu favor, Aécio tem uma aliança inédita com o PT em Minas, que garantiu a eleição do prefeito de Belo Horizonte. Seu discurso em favor do entendimento já tinha sido apoiado por diversas lideranças oposicionistas. Sua proposta foge do confronto Lula-anti-Lula – que tem marcado a militância obsessiva de Serra e seus aliados na mídia. Aécio entendeu bem que o confronto plebiscitário beneficiaria apenas a candidata apoiada por Lula. Só aproximaremos os brasileiros uns dos outros através da diminuição das diferenças que nos separam, disse ele.

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Não foi carta de quem está desistindo; foi de quem está se apresentando. O próximo lance, agora, será de Serra. Não terá mais como passar o pepino para outro disposto ao sacrifício – como foi com Alckmin em 2006.

De qualquer modo, o anúncio, ontem, revelou que, ao anunciar sua suposta desistência, Aécio está mais candidato do que nunca. 

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