Dia Mundial da Tuberculose: casos e mortes relacionam-se a desigualdades na América

Brasil, Colômbia, Haiti, México e Peru representam dois terços do total de casos e mortes de tuberculose nas Américas. Dados têm relação com desigualdades sociais e econômicas que permanecem na região

Foto: OMS

Da OPAS/Organização Mundial da Saúde (OMS)

No marco do Dia Mundial da Tuberculose, celebrado em 24 de março, a OPAS insta os países a tomarem as medidas necessárias para preencher as lacunas no atendimento das pessoas com tuberculose, garantir o diagnóstico precoce com novas tecnologias já disponíveis e trabalhar com as populações mais vulneráveis. A Organização também está pedindo financiamento sustentável para programas nacionais de tuberculose, de forma que os países possam alcançar a meta de acabar com a doença até 2030.

“Embora a região das Américas tenha conseguido reduzir o número de novos casos e mortes por tuberculose nos últimos 15 anos, acabar com essa doença só é possível se o progresso for acelerado”, disse Marcos Espinal, diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis e Determinantes Ambientais da Saúde da OPAS. “Os países devem ampliar o acesso ao diagnóstico com teste rápido molecular e tratamento oportuno de qualidade para aqueles que precisam. Eles também devem trabalhar com pessoas, comunidades e outros setores sobre os determinantes sociais que facilitam a transmissão dessa doença”.

Em 2017, a OMS estimou 282 mil novos casos de tuberculose nas Américas, 11% deles em pessoas vivendo com HIV. Ao todo, 87% dos casos estavam concentrados em 10 países, com Brasil, Colômbia, Haiti, México e Peru relatando dois terços do total de casos e mortes. De acordo com um relatório da OPAS publicado em setembro de 2018, cerca de 24 mil pessoas morreram em 2017 devido à tuberculose na região; e 6 mil delas foram coinfectadas com o HIV.

Campanha “É hora de agir”

O slogan da campanha do Dia Mundial da Tuberculose deste ano é “É hora de agir. Fim da TB”. Ele serve para lembrar que o cumprimento dos compromissos assumidos pelos chefes de Estado em setembro do ano passado, na primeira Reunião de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre tuberculose, deve ser acelerado. Na reunião, os líderes mundiais concordaram em implementar metas ousadas e medidas urgentes para acabar com a doença.

Acabar com a epidemia global de tuberculose é uma das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A Estratégia da OMS contra a tuberculose, adotada pela Assembleia Mundial da Saúde em 2014, visa reduzir em 90% as mortes e a incidência da doença (número de novos casos por ano) em 80% até 2030, em comparação com os níveis de 2015. Três metas intermediárias também foram estabelecidas para 2020: reduzir as mortes por tuberculose em 35%, reduzir a taxa de incidência de TB em 20% e garantir que as famílias afetadas pela doença não enfrentem altos custos de tratamento para a doença.

Desafios para acabar com a TB nas Américas

A persistência da tuberculose se deve, em grande medida, às desigualdades sociais e econômicas que permanecem na região. Desde 2015, as mortes caíram 2,5% em média por ano e os novos casos caíram 1,6%. No entanto, segundo o relatório da OPAS de setembro de 2018, eles precisam cair a taxas de 12% e 8% ao ano, respectivamente, para alcançar a meta intermediária para 2020 e continuar a diminuir esses números até 2030.

Nas Américas, mais de 50 mil pessoas – quase metade delas com menos de 15 anos – não sabem que têm a doença e não receberam tratamento. O diagnóstico com teste rápido molecular, uma nova ferramenta que poderia ajudar a suprir essa lacuna, foi usado em apenas 13% dos casos detectados, um pouco acima dos 9% em 2016.

O tratamento para a tuberculose salva milhares de vidas. Contudo, nos últimos cinco anos, apenas 75% dos pacientes tiveram um tratamento bem-sucedido, número abaixo da meta de 90% estabelecida para 2030. Dessa forma, recomenda-se que os países melhorem o monitoramento dos pacientes para garantir a adesão ao tratamento (8,6% dos pacientes o abandonam), entre outras questões.

A tuberculose multirresistente também representa uma séria ameaça, com cerca de 11 mil pessoas na região atualmente afetadas por esta forma da doença. A taxa de sucesso do tratamento nesses casos cai para 56%.

Para acelerar o progresso em direção à eliminação da TB, particularmente nos países com maior carga de doenças, a OPAS recomenda: acelerar a implementação de diagnóstico com teste rápido molecular; promover o rastreamento de contatos de pessoas com tuberculose, particularmente aquelas com menos de 15 anos; acelerar a implementação de novos medicamentos; obter financiamento nacional em vez de depender de fundos externos; trabalhar com populações vulneráveis que requerem uma abordagem especial; e ter a participação ativa da sociedade civil.

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