5 de junho de 2026

Eu só carrego em mãos a minha vida, por Romério Rômulo

Ó dura e vã, inerte e abatida camaleônica missão que eu carrego
Edvard Munch

Eu só carrego em mãos a minha vida

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por Romério Rômulo

1.
Um doce grão de sangue em minha veia
o meu estado de alma, um cão que late
o duro pão, o esgar de uma Medéia

o que me sabe na força do abate.

2.
Fui tão cruel na vida, entorpecido
de almas e canhões ensimesmados
que a dor ensimesmada do suicida

me amarrou pra sempre neste estado.

3.
Ó dura e vã, inerte e abatida
camaleônica missão que eu carrego
eu só carrego em mãos a minha vida.

4.
Missão sonora, errônea, que escasseia
no trote embebido em meu estrago
um doce grão de sangue em minha veia.

Romério Rômulo (poeta prosador) nasceu em Felixlândia, Minas Gerais, e mora em Ouro Preto, onde é professor de Economia Política da UFOP e um dos fundadores do Instituto Cultural Carlos Scliar – Rio de Janeiro RJ.

Romério Rômulo

Romério Rômulo (poeta prosador) nasceu em Felixlândia, Minas Gerais, e mora em Ouro Preto, onde é professor de Economia Política da UFOP e um dos fundadores do Instituto Cultural Carlos Scliar – Rio de Janeiro RJ.

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