#VazaJato: Fux diz que nunca trocou diálogos com Deltan para auxiliar Lava Jato

"Ministro do STF procurou outros magistrados da corte para esclarecer mensagens vazadas", escreve Mônica Bergamo

Jornal GGN – Segundo informações da coluna de Mônica Bergamo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, procurou colegas da corte para desmentir diálogo relatado por Deltan a Moro.

No dia 12, o jornalista Reinaldo Azevedo, em seu programa “O É da Coisa”, na Band, com participação do editor do The Intercept Brasil Leandro Demori, divulgou mensagens da #VazaJato entre Deltan Dallagnol, outros procuradores e o ex-juiz Sérgio Moro onde o coordenador da Lava Jato disse “para contarmos com ele para o que precisarmos, mais uma vez”. Ao enviar essa mensagem a Sergio Moro, o ex-juiz responde: “Excelente, in Fux we trust” (em Fux, nós confiamos).

“Segundo Fux afirmou a outros ministros, o diálogo, como relatado pelo procurador Deltan Dallagnol a Moro, não existiu”, escreveu Mônica Bergamo.

Veja a seguir o trecho do diálogo que coloca o ministro Fux sob suspeita de parcialidade:

Deltan Dallagnol envia a procuradores: Caros, conversei com Fux mais uma vez hoje.

Deltan Dallagnol: Reservada, é claro. O ministro Fux disse quase espontaneamente que Teori Zavascki fez queda de braço com o Moro e viu que se queimou e que o tom da resposta do Moro depois foi ótimo.

Deltan Dallagnol: Fux disse para contarmos com ele para o que precisarmos, mais uma vez, só faltou como bom carioca chamar-me para ir a casa dele. Rss. Mas os sinais foram ótimos, falei da importância de nos protegermos como instituições, em especial no novo governo.

Deltan envia essa conversa para o juiz Sérgio Moro, que responde:

Moro: Excelente, in Fux we trust.

A mensagem foi lida por Reinaldo Azevedo. Clique aqui para conferir.

Fux no habeas corpus de Lula

Fux pode estar falando a verdade, mas uma decisão sua já colaborou com intenções políticas da Lava Jato, é o que mostrou a primeira série de reportagens divulgadas pelo The Intercept Brasil, no dia 9 de junho.

Nelas, o site mostra que uma das primeiras ações dos procuradores da Lava Jato após, prisão de Lula, foi o bloqueio ou enfraquecimento a entrevista pré-eleitoral com Lula, com fins de afetar o resultado da eleição.

As mensagens privadas e de grupos da força-tarefa no Telegram, mostram que os procuradores liderados por Deltan, discutiram maneiras de inviabilizar ume entrevista de Lula à Folha de S.Paulo, autorizada pelo ministro do STF Ricardo Lewandowski.

Segundo eles, tal entrevista poderia eleger o então candidato Fernando Haddad (PT-SP), ou permitir a ‘volta do PT’. Na avaliação dos procuradores da Lava Jato, tal entrevista poderia ajudar o candidato do PT. Com isso, articularam estratégias para derrubar a decisão que a liberou ou, caso fosse realizada, para garantir que fosse estruturada de forma a reduzir seu impacto político e, desta forma, os benefícios ao presidenciável petista.

Como alternativa à decisão de Lewandowski, um procurador propôs que fosse aberta a entrevista para todos os veículos ao mesmo tempo. “Vai ser uma zona, mas diminui a chance da entrevista ser direcionada”, disse.

Outro procurador sugeriu expressamente que a Polícia Federal manobrasse para que a entrevista fosse feita depois das eleições, já que a decisão não trazia data em que deveria ocorrer. Assim, segundo ele, seria possível evitar a entrevista sem descumprir a decisão.

Quando o Partido Novo recorreu ao STF contra entrevista de Lula, os procuradores comemoraram. Luiz Fux concedeu uma liminar contra a entrevista e, em sua decisão, disse: “se faz necessária a relativização excepcional da liberdade de imprensa”. Logo após essa decisão de Fux, os procuradores comemoraram.

Quando a entrevista foi autorizada, depois de tantos recursos, em abril deste ano, a Polícia Federal de Sergio Moro, agora ministro, tentou transformá-la em uma coletiva de imprensa. Lewandowski derrubou o plano a pedido do El País.

Veja a seguir as conversas publicadas pelo The Intercept sobre a liberação de entrevista de Lula:

Carol PGR – 11:22:08 Deltannn, meu amigo
Carol PGR – 11:22:33 toda solidariedade do mundo à você nesse episódio da Coger, estamos num trem desgovernado e não sei o que nos espera
Carol PGR – 11:22:44 a única certeza é que estaremos juntos
Carol PGR – 11:24:06 ando muito preocupada com uma possivel volta do PT, mas tenho rezado muito para Deus iluminar nossa população para que um milagre nos salve
Deltan Dallagnol – 13:34:22 Valeu Carol!
13:34:27 Reza sim
13:34:32 Precisamos como país

********************

Athayde Costa – 12:02:22 N tem data. So a pf agendar pra dps das eleicoes. Estara cumprindo a decisao
12:03:00 E se forcarem antes, desnuda ainda mais o carater eleitoreiro

********************

Julio Noronha – 17:43:37 Como o Lewa já autorizou, acho que só há dois cenários: a) A entrevista só para a FSP, possivelmente com o “circo armado e preparado”; b) tentar ampliar para outros, para o “ciro” ser menor armado e preparado, com a chance de, com a possível confusão, não acontecer.

********************

Jerusa Viecilli – 15:54:27
[…]
Athayde Costa – 17:15:32 Ela ja ta pensando é na indicacao ao STF caso Hadadd ganhe
17:16:01 Absurdo
Laura Tessler – 17:16:03 que palhaçada…adora jogar pra platéia…quer ganhar o apoio da imprensa ao nome dela

********************

Paulo Galvão – 20:09:30 Passaram a petição da entrevista pro antagonista?
20:09:51 Vcs querem passar p globo?

********************

Às 22h49 do mesmo dia da troca dessas mensagens, o procurador Julio Noronha compartilhou mais uma reportagem do Antagonista, dessa vez com uma boa notícia: “Partido Novo Recorre ao STF Contra Entrevista de Lula”. Foi quando o grupo comemorou:

Januário Paludo – 23:41:02 Eu fiquei sabendo agora…
Deltan – 23:41:32 Rsrsrs
Athayde Costa – 23:42:02 O clima no stf deve ta otimo
Januário Paludo – 23:42:11 vai ser uma guerra de liminares…

********************

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora