Youtube censura canal Papo de Mãe, de Mariana Kotscho; ABI e OAB se posicionam

São 11 anos de trabalho ali reunidos e a autora não pode acessar na plataforma. 

Jornal GGN – A jornalista Mariana Kotscho, responsável pelo blog e canal do Youtube ‘Papo de Mãe’, teve seu material de uma década de trabalho retido pelo Youtube. São 11 anos de trabalho ali reunidos e a autora não pode acessar na plataforma.

A medida se deu após a jornalista publicar uma série de cinco pequenos vídeos com trechos de audiências, onde o juiz da Vara da Família, Rodrigo de Azevedo Costa debocha das mulheres em dizeres críticos à Lei Maria da Penha ou mesmo às escolhas feitas para o casamento.

A jornalista Mariana Kotscho foi às redes protestar contra as medidas do Youtube. Veja seu recado a seguir.

A ABI e a OAB se manifestaram sobre a censura do Youtube ao canal Papo de Mãe.

Segue nota da ABI:

O YouTube retirou do ar o canal “Papo de Mãe”, de Mariana Kotscho, contendo cinco vídeos com trechos de audiências em que, na Vara de Família de São Paulo, o juiz Rodrigo de Azevedo Costa afirma que não se importava com a Lei Maria da Penha.

Dentre outras coisas, disse ainda o juiz:

“Uma coisa eu aprendi na vida de juiz: ninguém agride ninguém de graça.” “Qualquer coisinha vira Lei Maria da Penha. É muito chato”. “Ele pode ser um figo podre, mas foi uma escolha sua e você não tem mais 12 anos”.

O site Uol aceitou veicular os vídeos agora censurados, mas o trabalho de 11 anos de Mariana, com mais de mil matérias, está de posse do YouTube e nem mesmo a autora está tendo acesso a ele.

A Corregedoria do Tribuna de Justiça de São Paulo está apurando os fatos aqui relatados.

A ABI se solidariza com Mariana, lembra que a Constituição não permite censura e informa que envidará todos os esforços para pôr fim a este atentado à democracia e à liberdade de expressão.

A ABI vai entrar em contato com o presidente da Google no Brasil, que controla o YouTube, para protestar contra a censura e o arresto das demais matérias de Mariana.

Mais detalhes podem ser conhecidos no site Uol.

Paulo Jeronimo – Presidente da ABI

Nota da OAB

CDH CONTESTA CENSURA DO YOUTUBE AO CANAL “PAPO DE MÃE”

A Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP foi informada que o canal “Papo de Mãe”, das jornalistas Mariana Kotscho e Roberta Manreza foi sumariamente removido da plataforma Youtube sem explicações que justifiquem tal ato.

Há dois direitos fundamentais atingidos em tal remoção: o primeiro, o da liberdade de expressão e de informação; o segundo, os direitos das mulheres, pela relevância do canal dirigido ao universo feminino.

A liberdade e os direitos das mulheres são componentes fundamentais dos Direitos Humanos e a Comissão de Direitos Humanos não pode quedar-se em silêncio diante de um fato que resvala na censura, tema vedado na Constituição Federal do Brasil.

Diante do exposto, a Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP , vem se manifestar contra qualquer tipo de censura, ao mesmo tempo, pede esclarecimentos sobre as razões da exclusão dos mais de 1000 vídeos do importante canal.

Ana Amélia Mascarenhas Camargos vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP

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4 comentários

  1. Estamos todos ferrados por conta do feudalismo tecnológico capitaneado por big techs monopolistas e sem controle social. A estratégia é semelhante a dos drones e aplicada a partir do Vale do Silício até Ushuaia.

  2. Toda Era histórica tem seu Auto-de-Fé.
    O de nossa era informatizada, googlesca, é um auto-de-fé sem fogueiras: basta a tecla ‘delete’.
    Uns vão sendo estrangulados lentamente, como foi o caso de PHA, como está sendo o caso do Nassif.
    Outros, vão diretamente para o ‘memory hole’.
    Estão aguardando que o Judiciário reverta essa depravação corporativa? Lasciate ogni speranza, voi ch’entrate na era da Internet.
    As “plataformas” de internet estão seguindo o curso natural da acumulação de poder. Primeiro passo, liquidar o pensamento independente.
    Hoje, vivemos a fase do expurgo dos elementos indesejáveis, daqueles que não se curvam.
    Abram alas para o pensamento único, universal, hegemônico.
    Seremos a tabula rasa de John Locke.
    E o que será nela escrito, está sendo redigido pelo Google.

  3. A internet é, outras coisas, uma imensa biblioteca, como material audiovisual e escrito; Em breve, tudo estará na internet e a imensa maioria dessas obras é e será controlada por grandes empresas privadas. Está na hora de tornar pública esta imensa biblioteca, armazenando-a em servidores de universidades, por exemplo, com acesso livre a todos. Para pagar esse armazenamento e os direitos autorais, bastaria cobrar uma taxa sobre os serviços da internet e retribuir os autores ou proprietários das obras com base em acessos e downloads. Não há sentido que Google, Netflix, Amazon, Disney etc armazenem e distribuam conforme suas regras e interesses todo esse material, mesmo quando eles mesmos produzem as obras. Pelo menos o conhecimento deveria ser socializado.

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