Um bilhete perdido no meio de um velho livro

O conceito de Justiça é amplo, mas para mim ele é bem simples: Justiça é tudo o que equilibra as relações humanas, seja institucionalmente, seja particularmente.

Uma sociedade que aplicasse idealmente a Justiça teria menos conflitos e desigualdade, mais democracia, e daria aos seus cidadãos oportunidades reais para se desenvolverem intelectual e materialmente, além de proteger as minorias.

Institucionalmente, se a máxima de que todos são iguais perante a lei e todos têm direitos e garantias legais fosse seguida com rigor, grande parte dos problemas sociais se resolveria.

Do mesmo modo, se as pessoas tivessem inculcadas em si os valores da Justiça, estaríamos bem próximos de nos considerarmos civilizados.

Imagine só uma sociedade na qual o sistema judiciário não discriminasse os cidadãos pela sua condição social, cor de pele, orientação sexual, ideologia política ou crença religiosa.

Ou um corpo social onde, majoritariamente, o indivíduo respeitasse o que o outro pensa, cumprisse as leis, ajudasse na preservação ambiental e fosse solidário com os mais frágeis.

O mundo seria um paraíso.

Certa feita, muitos anos atrás, encontrei um bilhete num livro que meu pai, o saudoso capitão Accioly estimava. O livro e o bilhete se perderam com as várias mudanças de endereço nestes anos todos, mas consegui guardar na memória ao menos a essência do texto, cujo autor também desconheço: não posso me considerar um ser humano completo enquanto houver injustiças, enquanto outro ser humano sofrer uma injustiça.

Lembro desse manuscrito, um papel pequeno, amarelado pelo tempo, com a letra inconfundível de meu pai.

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E me entristeço, fico com um travo na garganta, quando vejo como hoje a Justiça é aplicada no Brasil.

Ela, de fato, atua, de modo geral, apenas em favor dos endinheirados e para preservar o iníquo sistema social e econômico que coloca o país no primeiro lugar do ranking de desigualdade do planeta.

Os operadores da Justiça brasileira formam uma casta de privilegiados, que não se constrange em criar e acumular mais e mais benesses, como se a eles tudo fosse permitido.

O maior exemplo dessas aberrações é a perseguição implacável que um partido político, o PT, e suas principais lideranças, sofrem por parte dessa “Justiça”. 

Montou-se uma operação de guerra.

É um vale-tudo vergonhoso.

Talvez no futuro, provavelmente distante, o caso de Lula e José Dirceu, para citar os mais notórios, sirva como lição para os estudantes de Direito – sirva para mostrar o grau de distorção que o conceito de Justiça pode sofrer.

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