Francisco Celso Calmon
Francisco Celso Calmon, analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral - E o PT com isso?; Combates Pela Democracia; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula.
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Justiça histórica vem a conta-gotas, por Francisco Celso Calmon

De impunidade em impunidade vai-se consolidando como DNA do Brasil

A ex presidente do Brasil, Dilma Rousseff (c) concede entrevista coletiva após ser afastada em definitivo do cargo pelo processo de impeachment, no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), nesta quarta-feira (31). Mateus Bonomi/Futura Press

Francisco Celso Calmon*

A Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Senado, em 22/12/2022, aprovou as contas presidenciais de 2014 e 2015, relativas aos dois últimos anos do legítimo mandato de Dilma Rousseff.

O Senado que ontem a condenou, hoje a absolve. 

E agora, senhores golpistas, que o tempo passou, o que vão fazer?

A presidenta Dilma foi impichada do cargo por um golpe baseado em falsas alegações de pedaladas fiscais, orquestrado pelo famigerado Eduardo Cunha, pelos militares, com STF e tudo mais, já reconhecido pelo próprio Supremo e até pelo traidor Michael Temer.

O golpe de 64 ainda hoje tem defensores, o impeachment da Dilma não há força política que não reconheça que foi um golpe e não há instituição que não a considere inocente.

Entretanto, foi normalizado, ficou para a história. Os responsáveis estão livres para novos golpes, afinal, se ninguém foi responsabilizado, por que não irão dar outros? 

O PT estará no centro do governo do Lula/Alkmin e até o presente não deu nem sinais de uma redenção ao governo dela.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: www.catarse.me/jornalggn”      

Nós que como ela combatemos a ditadura militar, nós engajados na pauta memória, verdade e justiça, nós protagonistas da Comissão Nacional da Verdade, por ela corajosamente instituída, nós que resistimos ao seu espúrio impeachment, nós que lutamos pela Justiça de Transição, temos o dever de pugnar pela redenção de seu mandato.    

De impunidade em impunidade vai-se consolidando como DNA do Brasil.  

Criminosos da ditadura militar sem criminalização, golpistas sem responsabilização, milicianos e militares, autores das graves agressões aos direitos humanos, livres, tudo isso consequência de uma compreensão errada quanto a imperiosidade da Justiça de Transição, sem a qual o Brasil continuará a ser a terra dos golpes, dos genocídios e das injustiças.

Será muita covardia passarem a borracha no golpe mais descarado, desavergonhado, cínico, hipócrita, mambembe, que abriu as porteiras para o pior retrocesso nos direitos socias e civis do povo e o nascimento da prole bolsonarista nascida do cio da cadela do fascismo. 

O golpe de 2016 produziu o caos institucional e econômico-social no Brasil e infectou a nação com um tumor dos mais malignos – o bolsonarismo nazifascista, que ocasionou metástases na sociedade e precisa ser extirpado cirurgicamente o quanto antes.

O genocida do planalto é o responsável pelos planos terroristas de seus biltres, e fico a imaginar se um desses desse certo o que teria feito o mentecapto? Felizmente estão sendo desarmados em tempo. Contudo, a insurgência bolsonarista não está encerrada. Se ele for de fato para os EUA e não for preso quando voltar, vai tocar fogo no ambiente já em parte conflagrado.

Neste mesmo espaço publiquei, em 6 de novembro, um artigo com o título A faixa presidencial deve ser passado por Dilma, que recebeu amplo apoio nas redes, surgiram memes com a imagem dessa sugerida passagem de faixa, e enquetes particulares realizadas receberam consagradas aprovações. 

Dilma sofreu um impeachment ilegal assim como Lula sofreu uma prisão ilegal, será, pois, um gesto duplamente simbólico e muito redentor para a história.

Não será com temor que será reconstruído o Estado democrático de direito

São tempos de ousadia e coragem para furar o cerco do mercado e dos militares de DNA golpista, os quais convivem de forma objetivamente cúmplice  com os insurgentes acampados nos entornos dos quartéis.

A posse de festa, repleta de artistas, é certa e gratificante, mas não deve ser só lúdica. 

Esse simbolismo político da Dilma passando a faixa para o Lula, marcaria a posse indelevelmente para a história internacional da democracia.

Natal de 2022.

*Francisco Celso Calmon, coordenador do canal pororoca e ex-coordenador nacional da Rede Brasil – Memória, Verdade e Justiça.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem um ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected].

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