Lula não pode ficar refém da semântica, por Ricardo Mezavila

O principal adversário de Lula e do Brasil, o presidente Jair Bolsonaro, não tendo o que apresentar ao país, vai se servir de eventuais tropeços

Lula não pode ficar refém da semântica

por Ricardo Mezavila

O significado das palavras, nessa campanha, vai ser fundamental no desempenho dos candidatos, principalmente na campanha do líder em todas as pesquisas, o ex-Presidente Lula. 

Há duas semanas, o PT apresentou esboço do programa de governo apontando que a reforma trabalhista seria revogada. A palavra ‘revogar’ caiu como bomba no território adversário, na mídia e até em segmentos dos partidos da federação partidária. 

Com a repercussão negativa, os responsáveis pelo texto trocaram ‘revogação’ por ‘revisão’ do texto aprovado pelo Congresso no governo Temer. 

As pautas progressistas também sofrerão rejeição por parte do eleitorado conservador, como os evangélicos, que pensam votar em Lula, mas que ficam incomodados quando Lula fala em ‘aborto legal’, avanço dos direitos da mulher, LGBTQIA+, etc. 

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Do ponto de vista ideológico, qualquer discurso enviesado vira pedra no telhado, como aconteceu em Maceió. Lula discursava e, em certo momento, lembrou que em 1998, pediu que o presidente FHC libertasse os sequestradores do empresário Abílio Diniz, que estavam presos há dez anos e iniciaram greve de fome. 

Para quem não lembra, Diniz foi sequestrado em dezembro de 1989 durante a campanha do segundo turno entre Lula e Collor. 

A campanha antipetista relacionou o sequestro ao PT, tendo obrigado os sequestradores a vestirem a camisa do partido. A estratégia causou estragos na campanha de Lula. 

Lula escorregou em uma casca de banana quando desenterrou esse fato, dando um presente para Jair Bolsonaro que já explora a ‘escorregada’ junto aos seus, no cercadinho.  

Outra questão controversa e explorada é sobre ‘regulamentação’ dos meios de comunicação. Opositores distorcem dizendo que, ao ‘regular’, Lula vai censurar a imprensa, quando, na verdade, vai garantir a sua democratização, a liberdade de imprensa e de jornalistas livres para o exercício do trabalho, como consta na Constituição. 

O principal adversário de Lula e do Brasil, o presidente Jair Bolsonaro, não tendo o que apresentar ao país, vai se servir de eventuais tropeços de Lula para encobrir sua lista de malfeitos. 

Com a aproximação de outubro e da ameaça de a PF e militares fiscalizarem a eleição, o PT precisa avançar na comunicação de soluções para o país de forma objetiva, pragmática, fugindo do ‘sindicalês’ radical, para que potenciais eleitores não fiquem com dúvidas. 

Ricardo Mezavila, cientista político

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