2016 foi o ano em que os imbecis venceram, por Moisés Mendes

 
Jornal GGN – Neste ano, o Brasil ficou mais imbecil pela colaboração que muitas pessoas deram para aqueles que articulam ações que desqualificam a política, esvaziam as eleições e destroem as conquistas garantidas pela Constituição de 1988. Para piorar, não há nenhum força excepcional, como havia na ditadura militar, que justifique as omissões e as colaborações com o golpe.
 
A opinião é de Moisés Mendes, no jornal Extra Classe. Para ele, o jornalismo foi um dos principais protagonistas na ‘imbecilização’ ocorrida em 2016, com a cumplicidade com Eduardo Cunha, nos aplausos ao “usurpador do cargo de presidente” e na concordância com os desvios e abusos cometidos por Sergio Moro, além do processo ativo nos vazamentos que ajudaram a fortalecer os golpistas e a “idiotizar desinformados”. 
 
“A imprensa foi uma das idealizadoras e executoras do projeto de destruição das esquerdas e da democracia e de preservação de todos os envolvidos no golpismo”, diz Mendes. 

 
 
Leia a coluna completa abaixo: 
 
Do Extra Classe
 
 
por Moisés Mendes
 
Em 1944, quando os nazistas deixaram a França, depois de mais de quatro anos de ocupação, perguntaram ao cineasta Jean Renoir como ele definiria aquele período. Renoir, que havia fugido do nazismo para os Estados Unidos, disse que muitos poderiam ver os franceses mais acovardados, mais amedrontados ou mais brutalizados. Mas ele, olhando de longe, achava que os franceses estavam mesmo mais imbecis pela ação ou omissão de intelectuais, jornalistas e artistas.
 
Daqui a alguns anos, poderemos fazer a mesma pergunta, não aos outros, mas a nós mesmos, sobre o período que chegou ao auge em 2016 no Brasil e que ninguém sabe quanto tempo poderá durar. Por antecipação, dá para dizer que nos prepararam nos últimos anos para que sejamos todos imbecis. E que a imprensa tem papel decisivo nessa empreitada.
 
Na França, as perguntas incômodas com o fim da ocupação eram estas: o que se faz agora para entender o colaboracionismo? Como olhar para os que atenderam aos apelos dos nazistas para que colaborassem com a imposição de seu domínio? Os franceses chegaram a planejar julgamentos, mas desistiram. Não haveria, em muitas circunstâncias, como separar omissão, silêncio, distanciamento ou apoio declarado aos que ocuparam o país, perseguiram e mataram.
 
Quem colaborou ou se calou – e muitos da imprensa, da universidade e das artes fizeram isso – teve o argumento de que não havia, como admitiu Sartre, como fazer parte da resistência declarada sem ao mesmo tempo condenar-se à morte. No Brasil pós-golpe de 64, sem querer comparar contextos e circunstâncias, um argumento semelhante foi usado pelos que se aliaram à ditadura.
 
Havia na França ocupada pelo nazismo e no Brasil tomado pelos militares nos anos 1960 a imposição da força e do terror fardado. Os que se aliaram ou colaboraram têm esse pretexto, inclusive a imprensa. Poucos dos que sobreviveram, lá e aqui, perfilados com os regimes no poder, admitiram depois que emporcalharam a própria reputação e as reputações e a vida de parentes e amigos. Adesistas não cedem com facilidade à tentação de serem sinceros e honestos consigo mesmos e com os que os rodeiam.
 
Mas o Brasil das exceções de 2016, do golpe e da ascensão de um governo ilegítimo não está sob ameaça de nenhuma força militar. O ano de 2016 pode ter nos deixado mais imbecis por uma sequência de desatinos levados adiante com naturalidade.
 
Não há nazistas e militares a fazer ameaças. Políticos, empresários, procuradores, juízes, jornalistas e outros que ainda contribuem para a imbecilização do país não sofreram nenhum constrangimento da força para aderir ao projeto de produzir idiotas. A linha de montagem da imbecilidade é civil.
 
Mas quem irá se arrepender da contribuição ao projeto para que o país seja idiotizado? Quem bateu panelas sabe hoje o que de fato pretendia? Ou seguiu um pato pela Avenida Paulista? Ou apoiou Janaína Paschoal, ou aplaudiu Lobão, ou considerou a hipótese de que a democracia poderia (como ainda pode) ser trocada por uma eleição indireta?
 
Qual é a dimensão do drama pessoal do ex-presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, que presidiu as sessões do Senado em que foi decidida a cassação do mandato de Dilma Rousseff?  Que força jurídica inquestionável e superior determinou que o chefe da mais alta Corte do país se submetesse aos ritos e às vontades de um Congresso corrupto e golpista? Por que Lewandowski não se indispôs com a liturgia da farsa e não se declarou impedido de levar adiante o processo do golpe?
 
Por que o país foi conivente até agora com as agressões do deputado Bolsonaro às mulheres? Quem um dia irá se arrepender (em especial os liberais brasileiros) de ter sido silencioso diante dos excessos da Lava-Jato? Com a transformação da prisão preventiva em masmorra desmoralizadora de candidatos a delator? Com o recorde de processos (cinco), decididos em tempos recordes, contra o ex-presidente Lula? Com a vergonhosa impunidade dos corruptos tucanos.
 
O Brasil ficou mais imbecil em 2016 porque muitos colaboraram com os que articularam as ações de desqualificação da política, de esvaziamento das eleições e de destruição das conquistas da Constituição de 1988. E não há nada, como havia no nazismo e havia na ditadura, não há nenhuma força excepcional que justifique omissões, acovardamentos e colaborações com o golpe e com a sequência de fatos que o consolidam.
 
O jornalismo estará um dia diante do que lhe cabe no balanço final do processo de imbecilização do país. Na cumplicidade com a manutenção de Eduardo Cunha até a execução do golpe. Nos aplausos ao homem do Jaburu usurpador do cargo de presidente. Na concordância com os desvios de conduta do juiz Sergio Moro. Na participação no processo de seleção de vazamentos que ajudaram a idiotizar desinformados e a empoderar golpistas.
 
O jornalismo imbecilizador não estava, como estiveram os que enfrentaram o nazismo e a ditadura, sob nenhuma pressão insuportável. Desta vez, a imprensa brasileira contribuiu por conta e risco para a transformação de 2016 no ano da idiotia. A imprensa foi uma das idealizadoras e executoras do projeto de destruição das esquerdas e da democracia e de preservação de todos os envolvidos no golpismo.
 
Não precisamos esperar que um dia alguém nos diga que em 2016 o jornalismo dito ‘independente’ foi protagonista do plano de imbecilizar o Brasil. E o projeto em curso ainda está longe do que foi idealizado com a ajuda de jornalistas que deveriam denunciá-lo e destruí-lo.
 
Moisés Mendes é jornalista

16 comentários

  1. Dados os avanços da

    Dados os avanços da humanidade, afirmamos categóricamente que Imbecis não vencem! Fora temer e fhc com sua máfia demotucana  bancada / coordenada pelos usa, já que moros, fhcs, mendes, renans, jucás…não possuem inteligência nem prá ganhar eleições, que dirá para promoverem a mérda de ditadura norte americana que está em andamento? No máximo possuem QM*!

  2. Assim interessa

    A Rede Globo vem trabalhando há anos para construir uma nação de completos idiotas, baseada na máxima de um jornalista americano que “ninguém nunca perdeu dinheiro duvidando da inteligência do público americano”.

    A grande imprensa, por um anticomunismo burro e teimoso, comprou essa máxima e ajudou a exponenciar essa idiotia.

    O que não percebem é que este país está ficando economicamente inviável por este mesmo motivo. Cada vez menos se foram professores e menos ainda cientistas ou mesmo engenheiros. Universidades estúpidas continuam oferecendo a rodo cursos de direito num mercado mais que saturado deles.
    A tendência é nos tornarmos um país falido, que não atrai o interesse de investidores, e a mídia parece que se orgulha disso. Parece que os próprios se contaminaram da idiotia que promovem.

  3. 2016….

    Os tais imbecis acreditaram nas figuras que se diziam perseguidas políticas do governo militar, que diziam que fariam “política de outra forma”, anti-capitalistas contra a corrupção (Sérgio Cabral/pai. Perseguido político.Grande exemplo criou na própria casa. Hoje sabemos), democratas de eleições ditatoriais. Acreditaram na redemocratização. Acreditaram numa nova Constituição. A tal Cidadã? Teleférico de 250 milhões sobre a cabeça de milhares de barracos miseráveis. Ou favela destruída e expurgada para não atrapalhar os novos estudios da RGT na Marginal Pinheiros, mostram o tamanho da cidadania. Imbecis que levaram uma mulher nordestina à prefeitura da maior cidade do país. Que levaram todas as figuras da esquerda, pseudo-perseguidos políticos ao comando do país. Todos, de forma continua e ininterrupta. Os tais imbecis esperaram por 30 anos de promessas não cumpridas, de aumento das “castas superiores”, de ampliação da Casa Grande, pela formação de um Estado realista a partir desta caricartura nacional, Esperarm por escola, por hospitais, por ônibus, por transporte público, por justiça, por saneamento basico, por água, por urbanização, por creches, por presídios dignos, por cidadania, por um país. Esperaram 30 anos? Realmente imbecis.   

    • Se tiveres um tempinho para PENSAR

      sobre esta tua frase: “Esperarm por escola, por hospitais, por ônibus, por transporte público, por justiça, por saneamento basico, por água, por urbanização, por creches, por presídios dignos, por cidadania, por um país”.

      Não esperaram 30 anos! Esperaram 502 anos e em 12 anos começaram a experimentar a melhoria em tudo isso. Gostaram tanto que exigiram mais (lembras de junho de 2013?) Não souberam esperar e aderiram aos que não gostaram dos 12 anos de ascensão dessa gente. O resultado? Está aí, a olhos vistos. Alguns e muitos imbecis não querem ver e ficarm dando desculpinhas esfarrapadas.

      Penses um pouqunio, tires a venda do ódio e do preconceito e verás que a realidade é bem diferente do que os patos patetas desenham para ti.

  4. O GOLPE NÃO DEIXOU O PAIS MAIS IMBECIL

    OK !  só que creditar a imbecilização e falta de um setor intelectual que faça uma contraposição crítica ao resultado do Golpe 2016 também é uma coisa imbecil .

    Há 30 anos , ao menos desde o fim da ditadura ,  que o país não tem jornalismo , escritores , cineastas que produzam material de denúncia social .

    A VEJA nasceu durante o regime militar , mas já na década de 90 era uma revista sem nenhum valor jornalístico. A GLOBO nunca praticou jornalismo , foi grande defensora do governo entreguista de FHC e ganhou benesses por isso. Ao menos durante a década de 80 e inicio dos 90 produzia belas dramaturgias baseadas na literatura nacional , como Grande Sertão : Veredas. Hoje nem mesmo isso sobrou da GLOBO. É golpismo e difamação em estado puro.

    Onde estão nossos grandes documentaristas para registrarem a privataria , o entreguismo , a submissão ao financismo da era fernandista ? A decadência e corrupção da mídia nacional ? Para mostrarem a revolução do Bolsa Família , bombardeado e difamado pela propaganda rasteira da GLOBO ? Para registrarem para a posteridade todo o mecanismo operativo por trás do golpe , as forças atuantes , os reais beneficiários ? Onde estão ? Ninguém fez isso. Ninguém deixou isso registrado para a História. Só produzem coisas quando estão pendurados nas tetas dos incentivos fiscais da Petrobrás.

    Daqui a dez anos ninguém mais vai se lembrar de nada , como hoje ninguém lembra o que foi o governo de Sarney ou de FHC. Acreditam nos berros de que estamos na “maior corrupção da História humana” . Não têm memória histórica . 

    O Golpe não deixou o país mais imbecilizado. Esse monte de gente nefasta que emergiu em canais do YOUTUBE ou programas de rádio e televisão se autoproclamando de direita , apoiando o golpe , denunciando o “projeto de poder criminoso do PT” e com um discurso cheio de frases prontas inspiradas em Olavo de Carvalho ou Jair Bolsonaro são como os virús e bactérias malignos que habitam nosso organismo : basta baixar nossa resistência imunológica e eles nos detonam. Mas sempre estiveram por aí , só não tinham ambiente para se manifestar .

    O GOLpe não deixou o país mais imbecil ; ele apenas encontrou aberta a porta da indigência cultural brasileira e entrou facilmente . Só isso . 

  5. O problema é que daqui há 30

    O problema é que daqui há 30 anos a imprensa pedir desculpa ou todo mundo perceber o papel dela é inútil. Pré-sal já tera sido perdido, direitos perdidos, tc…

  6. Semeie o ódio, é fácil e eficiente.

    O nazismo ensinou e eles nunca esqueceram: Semeie o ódio e os  imbecís aderirão com convicções.

    Em 1944 todos os países da europa , inclusive o inglaterra, haviam perdido a guerra, sido desmoralizados e violentados, e seus milhões cidadão mortos por nada. A única exceção foi a Russia comunista, a única vitoriosa. A única que sabia por que lutou e por que perdeu seus filhos, e venceu.

    Nos anos 80 Cuba pode receber visitantes para um congresso internacional com outdoors que diziam: “Hoje duzentas milhões de crianças dormirão ao relento e com fome; nem uma delas é cubana”. 

    Contra isso só o ódio. 

  7. “2016 foi o ano em que os

    “2016 foi o ano em que os imbecis venceram”

    Desculpem a minha sinceridade, mas os imbecis venceram porque quem estava com a cabeça no lugar não teve coragem para sujar as mãos e botar os imbecis no lugar deles e liquidar com os conspiradores. Os inbecis vencem qualquer luta quando ninguém se apresenta para enfrentá-los com mais do que palavras.

  8. Que ano, que ano!….Arrf!…

    Os imbecis idiotizados foram as ruas para ferrar o Brasil e se ferrarem!…

    Defenderam as bandeiras dos Marinho, dos Mesquita, dos Frias, dos Civita e da Fiesp!…

    Chocante ver assalariados pedindo pelos chicotes dos patrões!..

  9. Discordo! Nenhum, imbecil é

    Discordo! Nenhum, imbecil é vencedor. Se o termo usado fosse ladrões, larápios, safados, canalhas… aí eu concordaria; imbecis, nunca. Imbecis não vencem nada e nunca; no máximo são usados como massa de manobra; o que não os torna vencedores, e sim fantoches dos vencedores. Chamar os golpistas de imbecis ou idiotas é tentar enganar a si próprio. Ou pra não mais sofrer a dor da derrota, ou não confessar a própria incapacidade.

    De qualquer modo, é discurso de perdedor permanente porque uma forma de resignação.

  10. Resta alguma dúvida?

    quanto à sinceridade desconcertante do marqueteiro do Dória Luiz Flávio Guimarães, e por onde caminhou a campanha, apostando tudo na imbecilidade acrítica?

    PS.: caso concreto, real, (acompanhei de perto) de ex-engenheiro da empreiteira baiana que participou ativamente de todas as passeatas e protestos devidamente paramentado de verde e amarelo, já desempregado. O que é esse cara senão produto imbecilizante de Veja e GloboNews? O que esse cara sabe de geopolítica? Ele tinha noção de que estava jogando o próprio pescoço na guilhotina? Nada. botava a cabeça no travesseiro e dormia com a satisfação do dever cumprido, ele sabe apenas o que a Globo e a Veja querem que ele saiba, nada mais. Ele só conhece a direção em que está a alfafa servida diariamente pela Globo e Veja.

  11. É por isso que tenho a

    É por isso que tenho a convicção de que a prioridade zero é o desmantelamento da mídia, a começar pela globo, por bem ou por mal. O estado de direito e a democracia meia boca que tínhamos não serão restaurados sem o aniquilamento das fábricas de imbecis em que se transformaram jornais, revistas, TVs, rádios e a internet dos servos leais dos EUA.

  12. Há ameaça sim

    Discordando do autor, alguns dos apoiadores do golpe foram ameaçados sim, pelo menos os do alto escalão.

    O STF, por exemplo, cada vez recebia um “sacode ” da midia, quando não colaborava. Uma denuncia contra a familia de um Ministro aqui, outra lá. Uma parte do Congresso idem. Quem não colaborou com o golpe como Dilma, ou está preso ou foi deposto.

  13. + comentários

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