Cunha pode explodir o quarteirão com Temer dentro, a depender da eleição de hoje

Jornal GGN – Se o deputado Eduardo Cunha (PMDB) não emplacar na presidência da Câmara um sucessor que seja de seu agrado – leia-se: que não trabalhe pela sua cassação em plenário – o risco de ficar furioso e “explodir o quarteirão com todo mundo dentro”, inclusive o interino Michel Temer, é grande.

A análise é de Helena Chagas, no artigo que o GGN reproduz abaixo. Nele, a jornalista aponta que o risco Cunha pode surgir com força caso a polarização entre Rogério Rosso (candidato que defende Cunha) e Marcelo Castro (que não defende) resulte na derrota da articulação feita pelo governo Temer. Ou, em outro cenário, que Rodrigo Maia (DEM) vença com o apoio do PSDB, mas não seja aproveitável para Cunha.

Nas últimas semanas, o esforço de Temer para eleger na Câmara um presidente que seja apoiado por Cunha ficou evidente.

Por Helena Chagas

Temer: entre Rodrigo Maia e o walking dead Eduardo Cunha

Em Os Divergentes

Uma conversa entre o presidente interino Michel Temer e os presidentes do PSDB, Aécio Neves, e do DEM, José Agripino, ontem à noite, num jantar, mudou o rumo das articulações para a eleição do novo presidente da Câmara. A candidatura surpresa do ex-ministro Marcelo Castro pelo PMDB, com o apoio do PT, aglutinou forças que estavam dispersas na base governista, como a ex-oposição e o próprio Planalto, que agora têm um adversário comum a derrotar.

O resultado dessa conversa deve ser o fortalecimento da candidatura Rodrigo Maia (DEM), em detrimento da do centrista Rogério Rosso, que era o preferido do governo por ser o capaz de pacificar Eduardo Cunha e seus aliados. O cenário ideal para o Planalto ainda é um segundo turno disputado pelos dois. Mas a hipótese é improvável e, se tiverem que rifar alguém, deve ser Rosso.

Leia também:  A transitividade do golpe na Bolívia, por Letícia Sallorenzo

O Planalto já percebeu que a polarização entre um defensor de Cunha (Rosso) e um não defensor (Castro) no segundo turno pode levar o governo à derrota no plenário. Já a disputa Maia x Castro terá um caráter de governo x oposição petista, pois o deputado do DEM, apoiado pelo PSDB, também defende a cassação de Cunha. Trata-se, portanto, de um terreno mais seguro para o governo.

Qual o risco dessa armação? Sim, ele mesmo. O walking dead Eduardo Cunha, sem apoio do novo presidente da Câmara, verá irem por água abaixo seus planos de adiar sua cassação e pode resolver explodir o quarteirão com todo mundo dentro, inclusive Temer.

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10 comentários

  1. Que exploda de uma vez

    No Brasil, o 1% dos mais ricos NUNCA paga o custo de suas cagadas. Nem o custo do desenvolvimento, nem o custo de nada. É o tipo de elite escrota, que vive pendurada em benesses do Estado, exige todos os direitos pra si e recusa sistematicamente cumprir seus deveres como cidadãos. Rico no Brasil é uma praga que se reproduz e tem filhos, que vivem ainda no regime das Capitanias Hereditárias, como os Marinho e os Frias.

    A grande mídia, os rentistas e o empresariado em peso trabalharam abertamente pela eleição de Cunha e pelo golpe que instituiu Temer presidente. Que pagem o custo de mais essa cagada, pq o povo já está acostumado a acordar cedo todo dia.

    É dever da elite brasileira cumprir o artigo 1º da Constituição, que determina que todo poder emana do povo e institui, como um dos fundamentos da República, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa.

    É dever dos mais ricos, nos seus campos de atuação, lutar pela erradicação da pobreza e pela redução das desigualdades sociais, definida no artigo 3º como um dos objetivos fundamentais da República.

    Fora disso é a barbárie.

  2. Realpolitik ou…

    Estamos nesta merda política porque a esquerda, em sua maioria, prefiriu o jogo da “realpolitik”. Afastaram-se dos princípios e deu no que deu.

    Temos uma excelente oportunidade de realizar uma ruptura e mudar o Brasil para melhor. Ou aprofundar a crise moral, econômica, política, social… com consequências imprevisíveis…

    • A esquerda lançou uma

      A esquerda lançou uma candidatura chapa pura em 2015 e deu em Eduardo Cunha. Chapa pura nesse momento será (outra) vitória do centrão.

      Mas qual é a oportunidade de ruptura que você fala?

        • Chapa em termos de apoio,

          Chapa em termos de apoio, união – entre aspas mesmo.

          Mas as candidaturas do PSOL e do PCdoB vão colocar Maia x Rosso no segundo turno… Se esses partidos não fossem tão vaidosos poderiam colocar no segundo turno alguém que pelo menos foi fiel na votação pela cassação de mandato.

  3. Duvido !!! Esse aí só ameaça

    Duvido !!! Esse aí só ameaça e nunca faz. 

    Se chegar a fazer uma delação, vai delatar todo mundo do PT que ele souber alguma coisa e vai se calar sobre a direita… se duvidar, tudo isso faz parte do plano !!!

    Você vê que mesmo nas maiores pernadas que a direita dá nele, ele só acusa o PT… se não está claro para ninguém o que ele quer…

  4. Estão demonizando o apoio a

    Estão demonizando o apoio a Marcelo Castro por se tratar de um PMDBista, mas se esquecem de que ele foi leal ao gov Dilma até o último minuto. Além disso julgam o PMDB um corpo coeso, e por isso criticam o apoiso do PT a um deputado daquele partido.

    No PMDB tem de tudo: desafetos de Temer, aliados de Lula, defensores da democracia, etc, etc, etc… nesse sentido, vide a postura do Senador Roberto Requiáo e de tantos outros. Então o melhor é trabalhar com quem puder detonar a bomba Eduardo Cunha – acredito que só essa arma tira Temer do planalto e se Dilma volta, são outros 500.

    Obs.: eu quero e preciso de uma análise sobre a vitória de Marcelo Castro dentro do PMDB.

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