A China não poderá se reproduzir nas colônias. A nova face do Imperialismo, por Rogério Maestri

Ou seja, não se tem mais um consumo motivado pela demanda que deveria criar a oferta, mas sim a oferta que gera a demanda criando necessidades, que darão a impressão da melhoria de vida

A China não poderá se reproduzir nas colônias. A nova face do Imperialismo

por Rogério Maestri

Quando Lenin escreve o excelente texto “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”, ele não poderia em 1915 o que poderia ocorrer em termos de modificação do Imperialismo nos próximos 100 anos, porém partindo da sua análise é possível descrever este século em termos de evolução do capitalismo nas colônias, que durante este período deixam de ser colônias, passam a Estados Nacionais, para atualmente retornarem a ser colônias de uma forma mais eficiente de gestão e de exploração de seus recursos. Ou seja, de 1915 temos dois importantes saltos de reorganização do Imperialismo que transformam um pouco as relações de dependência e exploração pelos conglomerados Imperialistas. Esta evolução deve ser analisada com cuidado para entendermos a nova fase que entramos.

Até o início do século XX a maior preocupação dos Impérios com as colônias era o domínio territorial e a expansão das redes de transporte, na época ferroviário, como fica muito bem descrito nos capítulos IV (A Exportação do Capital) e VI (A Partilha do Mundo entre as Grandes Potências). Tanto o domínio territorial como a rede ferroviária e portos eram necessários para uma exploração de produtos primários (mineração e plantations) que no início do século eram as únicas tarefas que eram reservadas as colônias.

Na visão dos imperialistas do fim do século XIX e início do século XX, atividades fabris eram reservadas para as matrizes, por dois motivos que só um é detalhado pela literatura especializada, a baixa remuneração e a capacidade de sobre-exploração dos empregados fabris na metrópole e um fator que fica escondido aos olhos dos observadores da época, a dificuldade do controle da produção nas colônias devido a baixa qualidade dos meios de comunicação e de transporte, que induziriam uma produção sem a devida contrapartida do consumo que poderia se modificar antes de uma alteração da produção fabril nas colônias.

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Poderíamos acrescentar aos dois fatores anteriores a ausência de mão de obra qualificada para indústrias nas colônias, logo tornando impossível a participação destas na produção industrial.

No meio do século XX com a época de ouro do capitalismo, no pós-guerra, os operários dos países Imperialistas conseguiram uma série de pequenas vantagens devido as lutas dos trabalhadores, com estas vantagens que não permitiam a compressão dos salários e aumento da retirada de mais valia, além de problemas de falta de energia, distância de transporte e as primeiras reivindicações contra os danos ambientais que causavam as indústrias nas metrópoles, o Imperialismo começou a transferir parte da indústria com menor grau tecnológico para as ex-colônias, guardando para si a fabricação de produtos com maior valor agregado produto do desenvolvimento tecnológico.

A grande descoberta e pretensa vantagem desta nova formatação de Imperialismo, reservava as matrizes a pesquisa e desenvolvimento industrial assim como escondendo no produto o verdadeiro valor não levando em conta o verdadeiro valor de uso. Um lingote de ferro, produzido pelas ex-colônias que passaram a pertencer a uma fase da cadeia produtiva, não sofre o que Marx denominou o carácter “misterioso da mercadoria”, através do conceito de fetichismo da mercadoria, ou seja, o que os economistas capitalistas chamam de valor agregado não é nada menos do que a característica “fantasmagórica” da mercadoria que não revelam as características da própria relação de trabalho.

A lógica da sociedade de consumo inverte a visão de Marx sobre o valor das mercadorias, enquanto a alienação que era entendida por Marx como o processo de negação do trabalho para a produção da mercadoria, nesta nova sociedade é via o consumo, pelas fantasias que podem ser consideradas como instrumento da alienação. Ou seja, não se tem mais um consumo motivado pela demanda que deveria criar a oferta, mas sim a oferta que gera a demanda criando necessidades, que darão a impressão da melhoria de vida pela aquisição de mercadorias que simplesmente nunca sentiram antes a vontade de tê-las.

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Pois, na distribuição da produção fabril entre as ex-colônias e as metrópoles, cabiam as primeiras a produção dos insumos para os produtos finais, e como os insumos não são objeto de desejo de uma sociedade de consumo, os custos podem ser levados ao mínimo aumentando ao máximo a mais valia dos produtos, mas sempre limitados ao valor de troca. Por outro lado, as metrópoles trabalhando com a fantasia do consumo, enquanto esta existe a venda do produto poderá ficar bem acima do seu valor sob o ponto de vista de Marx.

O problema de todo esta divisão do trabalho, começa quando as ex-colônias como a China e outros países periféricos conseguem produzir produtos finais com o mesmo grau de fantasia para o consumidor que a metrópole, pois no momento que este produto é desenvolvido desde a matéria prima até seu estado final, os produtores podem contrair a sua retirada de mais valia até o mínimo possível que permita a sustentação da produção e inovação, principalmente que a verticalização da produção possa levar a uma cadeia de produção com um lucro só no final da mesma. Ou seja, produzindo desde o produto de “baixo valor agregado” a fase intermediária ao produto, a contração do lucro em uma só parcela, permite valores de vendas muito menores do que as matrizes.

Durante anos a fio, os economistas capitalistas atribuíam os baixos preços dos produtos acabados vendidos pelas ex-colônias que conseguiram integrar a produção desde a fase mais primária ao produto acabado, a baixa remuneração da mão de obra local, porém mesmo se esta mão de obra sofresse uma superexploração, a contabilidade nacional destes países não fecharia, pois teriam que retirar de um local não existente recursos para subsidiar a produção.

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Com este novo desafio do Imperialismo Internacional, que começa a perder mercado para a produção nas ex-colônias, começa a necessidade de uma nova postura diante a sua perda de competitividade e para tanto traça duas estratégias, uma para as ex-colônias já com capacidade de concorrer, e outras com possibilidade de chegar a este ponto.

Para as colônias com capacidade de competir no produto acabado, cabe simplesmente guerras comerciais ou mesmo reais, para fazê-los voltar a situação de colônia, um exemplo claro é a atual guerra comercial entre USA e China, que se não der certo, talvez atinja a situação de guerra real.

Para as ex-colônias que não atingiram a condição científica e tecnológica de produzir com inovação e produtos com características que podem induzir a fantasia do consumo, é necessário simplesmente destruir toda a capacidade de chegar a este ponto, isto tudo é facilitado pela gerência direta das operações dos conglomerados financeiros-industriais através de normatização da produção por padrões internacionais (normas ISO-9000) e a facilidade de comunicação por redes computadorizadas.

Em resumo, para os países ainda com baixa capacidade de inovação, de preferência a maioria da indústria deve simplesmente ser comprada e gerenciada a distância ou simplesmente fechada, seria mais uma nova fase do Imperialismo, o IMPERIALISMO DE DESTRUIÇÃO.

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1 comentário

  1. Atenção aos caros leitores:
    Este artigo, que é algo complexo terminei de escrever altas horas da noite e fiz muitos erros de redação, ou seja, queria dizer A e disse não A, logo há muitas incongruências no mesmo, devido ao açodamento de minha parte, fiquem livres para criticar, pois o mesmo, ao meu critério ficou uma BOSTA.

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