Que fazer? Parte 5, por Rui Daher

A saga continua...

Que fazer? Parte 5, por Rui Daher

Quando pensei ter-me desvencilhado do brutal motim dentro da Redação, recebo uma notificação de minha editora, informando que não só dava total apoio a Nestor, Pestana e Everaldo, como não parava de receber reclamações de leitoras e leitores alertando que eu estava enrolando a todos que apoiam o “Jornal de Todos os Brasis”, e fazendo péssimo jornalismo, muito abaixo da qualidade costumeira no GGN.

Antes de retrucar, não, amenizo, responder, o mar não está pra peixe, opto por consultar Harmônica e saber de sua opinião. Talvez não fosse adiantar. No dia 26 de maio, me avisara que estava indo para os EUA, mais precisamente, Minneapolis, e que lá ficaria por uns dez dias, dando um jeito em policiais de mão no bolso (?) que gostam de sufocar negros.

Não sei se já voltou. Nenhum relatório de suas ações. De qualquer forma, tento o celular, atende:

– Olá Daher.

Dou um tempo. Alguma coisa não estava bem. Sempre me chamou pelo primeiro nome ou o diminutivo. Por que o Daher?

– Oi Harm, por onde anda?

– Por aqui ainda. Os protestos não param, o que ajuda muito nas minhas ações. Inclusive, sobre alguns dos responsáveis do genocídio que acontece aí.

– Ah, ótimo. Quer dizer que está acompanhando tudo que acontece aqui.

– Sim, inclusive sua estupidez!

– Como assim?

– O Pestana me ligou. Foi da primeira à quarta parte. Contou tudo. O Everaldo não deveria ter-lhe poupado. Eu iria até o fim.

– Porra, mas o que houve de tão errado?

– Não se faça de desentendido. Esse negócio de Lênin com seu avô Miguel. Que merda é essa? Mexeu com todo mundo.

– Admito que possa haver algo de ficção na história, mas se eu não posso provar que aconteceu, vocês também não podem negar que sim. Como personagem etéreo, que voa daqui pra lá, incógnito, pode ir até Brest-Litovski e pesquisar.

– Eu? Você fez uma puta confusão e agora recorre a mim? Tá sabendo que pirou, cara? Você tá mais por fora do que acontece na cidade e com sua família rio-pretense do que o Rio Preto Esporte Clube na Série A-3, do futebol paulista.

– Não entendi. Tenho falado bastante com eles.

– O que os faz de saco cheio. O Pestana me contou. Confunde primos e primas, faz de uns filhos e filhas de tios e tias diferentes, não sabe quem está vivo ou já se foi.

– Isso não! Infâmia da Redação. Estive com todos no começo de 2017. Me emocionei muito, todos foram amorosos e solícitos.

– Sim, mas não a ponto de por não se lembrar de porra nenhuma, usar dessa solicitude para pedir datas, seus parentes tendo até que fotografar túmulos. Anda bebendo muito?

– É, não pegou muito bem. Mas precisava. Para continuar contando a história.

– E quem disse que a magnífica editora e nós vamos deixar você continuar com essa lenga-lenga? Desta vez, nem o seu Conselho Consultivo Celestial está de acordo. Eles já têm o contato direto com seu avô Miguel. Não precisam mais de você.

– Pode ser. Mas quem ainda tem a graça de estar vivo sou eu. Se têm contato direto, sabem que não estou mentindo … completamente. Puxa, depois de dar tanto trabalho para o pessoal, deixem-me publicar só mais uma vez.

– Vamos falar com a bondosa editora. Ela decide. E não nos ofenda mais, como fez no capítulo anterior.

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