“Até minha chegada no Parlamento, Bolsonaro não era nada”, diz Jean Wyllys

"Ele viu uma chance de parasitar a minha popularidade, que era nacional, a dele não era, ele era conhecido só no Rio de Janeiro", diz ex-deputado

Jornal GGN – O ex-deputado federal Jean Wyllys (PSOL) disse em entrevista ao canal Meteoro Brasil, nesta terça (29), que Jair Bolsonaro “parasitou” sua popularidade nacional e “catalisou” o preconceito contra homossexuais entre os setores conservadores e de extrema-direita, usando isso para alcançar cada vez mais projeção.

“Até minha chegada no Parlamento, Bolsonaro não era nada. Era um deputado paroquial, ridículo, improdutivo, fanfarrão, inútil que tinha um curral eleitoral”, disparou.

Jean – que numa atitude de auto-preservação, abandonou o terceiro mandato e saiu do Brasil no primeiro mês de governo Bolsonaro – relatou que teve um “vislumbre do futuro” quando o ex-capitão foi o deputado federal mais bem votado no Rio de Janeiro em 2014, com cerca de 500 mil votos.

Até então, Bolsonaro vencia a eleição em um “nicho”, angariando nas urnas cerca de 100 mil votos. Para Jean, Bolsonaro percebeu a oportunidade de antagonizar com ele por uma questão de estratégia, mas também por incômodo pessoal.

“Com minha chegada no Parlamento e o incômodo que ele teve pessoalmente com o fato de um homem gay estar no mesmo espaço que ele, com as mesmas prerrogativas, ele viu uma chance de parasitar a minha popularidade – que era nacional, a dele não era, ele era conhecido só no Rio de Janeiro.”

“Ao mesmo tempo, ele abriu um novo flanco no eleitorado. Além de defender ditadura militar, pensão de viúva da ditadura, ele passou a atacar por uma questão pessoal o direito LGBT. Ele começa a servir de catalisador para essa extrema-direita que estava até então dispersa.”

Para Jean, a extrema-direita adormecida no Brasil “pegou carona na manifestação de 2013, recebeu um investimento muito grande e tácito dos meios de comunicação hegemônicos” e começou a “se organizar e a se plasmar em torno da figura” de Bolsonaro.

“Quando eu recebi a notícia [de que Bolsonaro fora reeleito deputado com cerca 500 mil votos, depois de passar alguns anos provocando Jean no Congresso], eu tive um vislumbre do futuro. Para mim ficou claro ali que a extrema-direita encontrou um catalisador e estava organizada. E estava claro que a extrema-direita iria me usar de contraponto, como de fato me usou.”

Assista à entrevista:

 

 

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