A esquerda precisa construir sua própria agenda de reformas, por Nabil Bonduki

 
Jornal GGN – É preciso que se crie uma agenda propositiva, sair da mera polarização entre direita e esquerda e partir para a seara das propostas. Se os liberais identificam alguns dos entraves do país, e neste caldo está incluído as relações de trabalho, o desequilíbrio da previdência, a questão da educação e da moradia, por outro lado propõem receitas que nos joga a um futuro nefasto. Esta é a tônica do artigo de Nabil Bonduki, na Folha.
 
Nabil aponta que é preciso o apoio da sociedade, coisa difícil quando se tem no páreo um Congresso fisiológico e patrimonialista. Mas é preciso que se discuta essa agenda de reformas, mas uma discussão ampla, para destravar o país. Nada parecido com o que estão colocando no páreo. É preciso que a esquerda se una em torno de um projeto de País, discutindo as reformas necessárias para um desenvolvimento sustentável.

 
Leia o artigo a seguir.
 
na Folha
 
 
por Nabil Bonduki
 
Debater uma agenda que rompa com a empobrecida polarização que impera desde 2014, entre petistas e antipetistas; entre golpistas e democratas; entre uma direita limitada e uma esquerda envelhecida, é fundamental.
 
Os setores progressistas precisam sair da zona de conforto, de mera oposição às reformas propostas pelo “mercado”, assumidas pelo ilegítimo governo Temer, para uma postura propositiva que não ignore os problemas do país e apresente alternativas, com competência e responsabilidade.
 
Os liberais identificam corretamente alguns dos entraves do país: a dicotomia entre a antiga CLT e as atuais condições de trabalho; o desequilíbrio da previdência; a incapacidade das contas públicas suportarem os direitos constitucionais, como saúde universal, o ensino gratuito, direito à habitação, ciência e tecnologia, etc.
 
A receita proposta, no entanto, oferece um futuro nefasto para o país. Penaliza os mais vulneráveis, não toca nos privilégios e não se articula com um novo projeto de desenvolvimento, como afirmou César Benjamin em artigo na “llustríssima” (7/12).
 
Para viabilizá-la sem apoio da sociedade, o governo negocia qualquer coisa com um Congresso fisiológico e patrimonialista, misturando a velha fórmula: (falsa) modernização com atraso político.
 
Mas a necessidade de reformas é real. Um projeto progressista requer uma agenda própria de reformas estruturais, amplamente debatidas, para destravar o país.
 
O mundo do trabalho está em acelerada transformação, com mais autonomização e flexibilidade. As garantias sociais não podem se limitar ao emprego formal, pois o trabalho informal e flexível é irreversível, requerendo regulamentação e direitos.
 
Inovações na legislação trabalhista são essenciais, mas não as impostas por Temer. A renda básica universal, sempre tratada com desdém pela esquerda, deve ser pensada com seriedade, como está ocorrendo em todo o mundo.
 
Uma proposta para a previdência é essencial, mas não a que está aí. Ela prejudica os mais vulneráveis, mantendo os privilégios de juízes, militares, promotores e outros setores do alto funcionalismo. O envelhecimento não pode ser ignorado, mas a idade mínima precisa considerar as diferentes naturezas de trabalho.
 
O equilíbrio fiscal requer uma reforma de Estado, com eficiência nos gastos, mas sem cortar avanços sociais, e uma reforma tributária mais progressiva, que tribute heranças, fortunas e rendas elevadas.
 
Reformas são indispensáveis e a esquerda precisa debatê-las sem preconceitos, integradas a um novo projeto de desenvolvimento sustentável que incorpore as pautas dos movimentos ambientalistas, culturais e identitários.
 

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5 comentários

  1. É verdade. Poderíamos começar

    É verdade. Poderíamos começar não chamando de reformas e não aceitando a agenda golpista.

    A esquerda poderia,isso sim,começar a discutir suas propostas a partir da manutenção da espécie humana,ameaçada com o crescente desenvolvimento tecnológico e automação.

  2. Ciclo de debates …

    Ciclo de debates.

    Agenda de discussões.

    Mesa-redonda de reformas.

    Enquanto se perde tempo nisto a vaca vai para o brejo a passos largos.

    🙂

  3. A Esquerda ideológica e os Direita monetarista: irmãos siameses

    É difícil discutir com uma esquerda ideológica, refratária a tudo e a qualquer proposta que não se enquadre dentro do cincunspecto de pensamento, que considera tudo conspirações e que não leva em conta as circustâncias e as realidades postas.

    Em termos de postura, não há a menor diferença entre esta esquerda ideológica e os cardeais monetaristas dos juros e das metas de inflação que controla política monetária (e econômica) atual do Brasil.

    Interessante essa a convergência de POSTURAS.

  4. Ou perdemos o medo ou nos calamos

    Ô Bonduki, votei em ti, mas tenha a santa paciência, agora não é hora de discutir a agenda.

    Quem quer discutir nessa hora agenda passa a impressão de ter medo de admitir que sem reação passaremos a vida fazendo reunião e se agendando para o futuro, que não chegará jamais.

    A hora é de irmos a rua mostrar que há muita gente puta da vida com essa farsa e essa bandidagem que está dilapidando o patrimônio brasileiro há 518 anos.

    A hora é de fazer, o resto é avestruz.

  5. Esfriamento
    A primeira coisa a fazer para que se possa conversar serenamente, é a esquerda deixar de vez essa história de golpe, e a direita parar de culpar a esquerda pela situação do país.

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