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Análise

Entrevista: Juarez Guimarães e a encruzilhada de 2018

Enviado por Antonio Ateu

do Sul21

Não há nada mais desmobilizador hoje do que 2018. Entre nós e 2018 há um abismo

por Marco Weissheimer

“O golpe em curso no Brasil se insere no processo internacional da contrarrevolução neoliberal que está construindo estados constitucionais não democráticos pelo mundo inteiro. Os golpistas estão divididos e enfrentam dificuldades para lidar com a crise de legitimidade decorrente do golpe, mas estão unificados programaticamente. E esse programa põe em questão princípios fundamentais do pensamento democrático do pós-guerra, gerando um cenário de instabilidade , ódio e intolerância”. A avaliação é do cientista político Juarez Guimarães, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que aponta graves conseqüências desse quadro nos planos nacional e internacional. “Os valores fundamentais da paz, da liberdade, dos direitos humanos, do pluralismo e da tolerância estão em questão e é por isso que falo que estamos vivendo uma crise civilizacional”, diz o cientista político em entrevista ao Sul21.

Juarez Guimarães analisa os acontecimentos recentes da vida política brasileira sob a perspectiva de uma linha histórica mais longa, aponta um déficit de consciência da esquerda sobre o que está acontecendo no Brasil e no mundo, defende a centralidade da campanha por Diretas Já e adverte sobre os riscos de depositar todas as esperanças em 2018 para a superação da crise atual. Para ele, quem achar que estamos vivendo apenas um intervalo no processo de normalidade democrática, pode avaliar, por exemplo, que a sentença do juiz Sérgio Moro contra o ex-presidente Lula deve ser reformada em segunda instância, uma vez que não tem base jurídica nem provas. No entanto, diz, estamos vivendo um estado de excepcionalidade onde a exceção é a regra. “Moro é corrompido politicamente e está exercendo seu mandato de juiz de forma partidária”. E acrescenta:

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A monumental fraude do plano econômico, por André Araújo

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Foto: Antonio Cruz/EBC

Por André Araújo

Cemitério sem inflação - o completo fracasso de um plano econômico 
 
Um plano econômico que não poderia dar certo ameaça levar ao Brasil a uma depressão inédita, um dos países de economia historicamente mais dinâmica do planeta caindo nas profundezas de uma depressão gerada pela política econômica equivocada, sem lógica, sem nexo e sem ciência, manejada pelo sistema financeiro em seu próprio benefício.
 
O DEBATE DA POLÍTICA ECONOMICA
 
Nos anos 40, 50, 60 e 70, foi intenso no Brasil o debate na academia, na imprensa, nas associações empresariais sobre política econômica, sobre linhas doutrinárias, propostas, alternativas, custos e vantagens de cada variante da governança da economia do País.
Como dizia Keynes, a história da humanidade é a história do pensamento econômico e pouca coisa além disso. Discutir a política econômica de um grande País é tema central dos cidadãos.
 
Hoje se verifica um DESERTO completo nessa discussão, a imprensa pelos grandes jornais e noticiários de TV toma como ÚNICO o caminho apontado pelos “economistas de mercado”.

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Pobreza, violência e barbárie no Brasil do golpe, por Marcio Pochmann

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Foto: Arquivo/EBC

Da Rede Brasil Atual

 
No Brasil de Temer e suas reformas regressivas, ricos querem viver como os xeques do Bahrein, enquanto o restante da população depara com cenário aos moldes do Haiti
 
por Marcio Pochmann
 
As forças do golpe que liquidaram o governo eleito democraticamente em 2014 atacam os pobres sem cessar, na expectativa de trazer de voltar à Belíndia, modelo de sociedade da década de 1970 constituído pelos governos autoritários. Mas na realidade, o atual conjunto de reformas conduzidas em meio a mais grave recessão já vivida pelo país aponta para outro modelo de sociedade, o Bahaiti.
 
O regime militar que predominou por 21 anos no Brasil (1964-1985) não se sustentou apenas no autoritarismo. A garantia do rápido crescimento econômico foi a senha necessária para o apoio político em troca da expansão dos negócios aos capitalistas e da ocupação aos trabalhadores.
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Para Haddad, não há possibilidade de Lula ficar inelegível

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Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas
 
Jornal GGN - Após a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo juiz Sérgio Moro, os analistas políticos começaram a levantar a hipótese de outra candidato do PT em 2018, caso Lula se torne inelegível.
 
Um dos nomes lembrados é o de Fernando Haddad, mas o ex-prefeito de São Paulo refuta não só a hipótese de disputar a presidência como também a possibilidade de não disputar a presidência no ano que vem.
 
Em entrevista para a Folha de S. Paulo, Haddad afirma que tanto Lula quanto o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso erraram ao não ter conseguido criar bases para convivência entre PSDB e PT, o que fez os partidos se tornarem “reféns do atraso. 
 
Ao comentar a Operação Lava Jato, Haddad critica o uso das delações premiadas. “Aqui introduzimos uma novidade sem as cautelas regulamentares. Qual o protocolo para delação com trecho falso?”, questiona. 

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Tríplex 164 A: o jornalismo declaratório prova a inocência de Lula, por Sergio Saraiva

Como uma reportagem do Globo de 2010 sofreu releituras sucessivas até transformar-se em "prova" para a condenação de Lula.

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Tríplex 164 A: o jornalismo declaratório prova a inocência de Lula

por Sergio Saraiva

Não foi intencional – por certo ao contrário -  mas o artigo da Folha de 16 de julho de 2017 onde o jornal busca contar a ”história do tríplex do Lula” acaba por demonstrar as inconsistências na condenação de Lula.

O artigo traz uma cronologia da condenação de Lula tomando como base o tríplex do Guarujá. Mas, quando do artigo se exclui o que é apenas declaratório, nada sobra. Nem provas, nem convicção – somente declarações. E uma reportagem do Globo como o fio condutor de toda a argumentação que levou à condenação de Lula.

Vejamos o didático artigo da Folha.

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As novas e velhas máscaras da terceirização no capitalismo contemporâneo, por Christian Duarte e Carlos Salas

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Foto: Stefano Ferrario

Do Cesit/Unicamp

As novas e velhas máscaras da terceirização no capitalismo contemporâneo

Introdução

Em artigo recente do Wall Street Journal (2 de fevereiro de 2017), intitulado “O fim dos empregados”, se encontra a declaração de um diretor da empresa Virgin Airways feita em uma reunião com investidores em março de 2016: “vamos terceirizar cada um dos postos de trabalho que conseguirmos, sempre que estes não se relacionem com o tratamento direto com o público”. Em dezembro de 2016, quando a terceirização já se havia generalizado, a empresa foi vendida. Hoje, a Virgin Airways terceiriza a venda de passagens aéreas, o manejo das bagagens, as reparações maiores e a alimentação nos voos, o que se traduz em maiores lucros por passageiro que a média das companhias aéreas.

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O mercadismo que quer operar acima das tensões sociais e políticas, por André Araújo

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Foto: José Cruz/Agência Brasil
 
Por André Araújo
 
 
Samuel Pêssoa virou uma espécie de guru intelectual do mercadismo radical que pretende operar acima das tensões sociais e políticas, algo hoje inteiramente fora de moda nas grandes nações pós-crise de 2008.
 
Nos EUA, catedral mundial do pensamento econômico aplicado à realidade, foi o ESTADO de corpo e alma quem salvou o mercado em 2008, salvou da crise PROVOCADA PELOS EXCESSOS DO MERCADO. 
 
Se não fosse o Tesouro dos EUA, a crise de 2008 seria infinitamente maior. Foi o Tesouro dos EUA, autorizado pelo Presidente Obama, quem sacou dinheiro de seu caixa no importe nada desprezível de US$778 bilhões dentro da autorização do programa TARP para salvar o Citigroup, a General Motors, a seguradora AIG e mais 200 outras corporações e bancos, decisão tomada de forma ultrarrápida, engenhosa, eficiente e sem pruridos ideológicos, no incêndio não se pergunta de onde vem a água e SALVOU O MERCADO. 

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Lava Jato será estudada mais por seus desmandos, por Jânio de Freitas

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Foto: Ricardo Stuckert
 
Jornal GGN - Mais do que as suas condenações, a Operação Lava Jato será lembrada e estudada por suas arbitrariedades e desmandos, afirma o jornalista Janio de Freitas, em sua coluna de hoje (16), na Folha de S. Paulo.
 
O colunista ressalta que a conexão entre o apartamento no Guarujá (SP) e os subornos na Petrobras nunca foi demonstrada, apesar de isso embasar a decisão do juiz. 
 
“Não houve no Conselho Nacional de Justiça e no Supremo Tribunal Federal quem pusesse o juiz de Curitiba abaixo da lei”, diz Janio, lembrando das gravações feitas no âmbito da Lava Jato e que foram divulgadas ilegalmente. 

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A trajetória de Lula e os dilemas e desafios do Brasil, por Roberto Bitencourt da Silva

Foto Stringer/Reuters

A trajetória de Lula e os dilemas e desafios do Brasil

por Roberto Bitencourt da Silva

A condenação judicial do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, representa um novo e grave capítulo do movimento golpista empresarial-midiático-judicial, que destituiu ilegitimamente uma presidente eleita e rasgou a Constituição de 1988.

No momento, as consequências imediatas ao ex-presidente não ultrapassam os limites do aborrecimento e da vexação persecutória. Para o sistema político e demais círculos da institucionalidade brasileira, delineados na transição da ditadura à democracia representativa e normatizados na Carta Constitucional de 1988, os efeitos potenciais beiram a pá de cal.

As atitudes em resposta à arbitrária decisão do Judiciário foram heterogêneas, envolvendo amplíssimo leque de opiniões e predisposições políticas no País. Marcadas tanto por comemorações deliberadas, cínicas e irrefletidas, quanto por gestos de solidariedade a Lula. Em relação aos últimos, manifestações atravessadas por exaltações acríticas, como também por ponderações que não deixavam de lastimar as suas opções políticas.

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A Justiça é para todos?, por Marcelo Zelic e Cecília Capistrano

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Deputados da tropa de choque de Michel Temer na CCCJ da Câmara, entre eles (à dir.) Darcísio Perondi (PMDB/RS), cujo pedido de investigação por crime de improbidade administrativa está parado no STF desde 2004. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Do Jornalistas Livres

 
por Marcelo Zelic e Cecília Capistrano Bacha para os Jornalistas Livres
 
No final dos anos 1970 o Senador Teotônio Vilela, um liberal, em suas andanças pelo país pregando a redemocratização, pronunciou palavras que merecem registro e meditação. Dizia ele: “As decisões dos tribunais são a última etapa da vida do direito. Sem um funcionamento adequado da organização judiciária, o país caminharia para a desordem e a descrença nas suas instituições políticas.”
 
A sentença do juiz Sérgio Moro condenando o ex-presidente Lula com base em suposições e desconsiderando as provas contidas nos autos, tornou-se, conforme declaração de seus advogados, “um processo ilegítimo e usado para fins políticos”, retrocedendo o funcionamento da organização judiciária para as práticas da ditadura militar combatidas pelo Menestrel de Alagoas, como Teotônio era chamado à época.
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A prova da falta de provas na condenação de Lula pelo juiz Sérgio Moro, por Urariano Mota

A prova da falta de provas na condenação de Lula pelo juiz Sérgio Moro

por Urariano Mota

Pensei em escrever que revolta a inteligência a última sentença de Sérgio Moro contra o ex-presidente Lula. Acrescentaria que não é possível, hoje, ser um humanista que não se revolte contra o concerto da direita brasileira. Mas acalmo, sereno o discurso e passo a indicar a prova da sentença sem provas do senhor Sérgio Moro. Acompanhem por favor

https://drive.google.com/file/d/0B1trF11ZWhAPRzNIMVRNdzV5SEU/view

A primeira coisa a observar, de passagem, é que a concordância verbal e a civilização brasileira não são o forte do senhor Sérgio Moro. Sem pesquisa ou esforço de correção, notamos erros primários:

“o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva não está sendo julgado por sua opinião política e também não se encontra em avaliação as políticas por ele adotadas durante o período de seu Governo...

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Descarte de provas e supervalorização de delatores: a sentença do triplex

Com acusação ligeiramente descaracterizada, recheada de delações sem provas e com documentos que convém ao viés explanacionista defendido por Deltan Dallagnol, Moro condenou Lula a 9 anos de prisão no caso triplex
 
 
Foto: Filipe Araújo/Fotos Públicas
 
Jornal GGN - Quem acompanha o processo há algum tempo e leu a sentença de 238 páginas que Sergio Moro proferiu contra Lula no caso triplex, na quarta (12), pode ter ficado com a ligeira impressão de que o juiz estava com o documento parcialmente pronto desde março passado, quando Lula prestou depoimento em Curitiba e negou a posse ou interesse em fechar a compra do imóvel da OAS.
 
Isso porque a espinha dorsal da decisão de Moro nada mais é do que o conjunto de provas indiciárias que o Ministério Público Federal fabricou durante a investigação. Essas provas foram sintetizadas por Moro em 15 tópicos e o GGN os reproduziu aqui
 
As mais de 5 horas do depoimento de Lula foram reduzidas a trechos selecionados a dedo por Moro, para valorizar os indícios levantados pela acusação e transformar a defesa em algo inconsistente. E as provas que chegaram na reta final do processo - como as que relacionam o triplex à Caixa Econômica Federal - receberam atenção mínima, ao passo em que delações e depoimentos sem prova documental correspondente foram supervalorizados.    
 
Já no início da sentença, ao analisar as provas indiciárias (que incluem matéria de jornal, documentos rasurados e sem assinatura, cuja validade foi questionada por Lula), Moro deixa claro que nunca foi importante saber a quem o triplex pertence no papel e, por isso, todas as provas produzidas nesse sentido foram desprezadas.
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A condenação de Lula e o desafio do reboquismo

Análise imediata da política brasileira e do tempo "perfeito" da promulgação da sentença. Neste breve vídeo, o cientista político debate  a relação entre esquerda, centro-esquerda, não fazer coro com a Lawfare e ao mesmo tempo o desafio de não hipotecar bandeiras sociais e o direito coletivo pela viabilidade de uma ou mais candidaturas eleitorais. O vídeo foi primeiramente postado e produzido para o jornal eletrônico baseado em Porto Alegre/RS, Sul21 (sul21.com.br) 

Feminismo Online, por Camila Sanches Zorlini

FEMINISMO ONLINE - estudo de caso nas redes sociais digitais Instagram e Google Trends

por Camila Sanches Zorlini[1]

Resumo

Nesse texto procuro entrelaçar as referências bibliográficas às quais fui apresentada no curso de Opinião Pública da FESPSP a um olhar de pesquisadora voltado para as mensagens e imagens da rede social Instagram, usando como base algumas fotografias e depoimentos colhidos em maio de 2017, por meio de hashtags que contemplam o tema Feminismo no Brasil, bem como dados encontrados pela ferramenta gratuita Google Trends, colhidos entre maio de 2014 a maio de 2017. O tema está em voga e me interessa tanto como tema de agenda pública, como de maneira intrínseca.

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Juízes rigorosos são conceituados, mas são péssimos, por Jânio de Freitas

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Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
 
Jornal GGN - Apesar de terem um alto conceito na imprensa e na sociedade, mas na verdade eles são péssimos. Bons juízes são equilibrados, talvez uma raridade no atual cenário do Poder Judiciário. 
 
A opinião é do jornalista Janio de Freitas, que escreve em sua coluna de hoje (13) sobre a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sobre os métodos utilizados na Operação Lava Jato.
 
Para o colunista, é mais fácil encontrar os motivos para a condenação fora dos autos. Leia mais »
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