Trump e Putin apontam nova era de prosperidade para o mundo, por J. Carlos de Assis

Movimento Brasil Agora

Trump e Putin apontam nova era de prosperidade para o mundo

por J. Carlos de Assis

Se a análise política de fundo vale alguma coisa em confronto com a boçalidade dos comentaristas da tevê Globo e Veja, pode-se concluir que há  grande probabilidade de o governo Trump trazer para o mundo uma era de prosperidade econômica sem paralelo. Não falo da política interna. Sinceramente, ela não me interessa. É que o suposto elemento de regressividade prometida nesse campo pelo novo presidente será contrabalançado, e até anulado, pelo fortíssimo movimento de defesa dos direitos civis norte-americano.     

O aparente enigma vem do exterior, e ele já pode ser decifrado em vários aspectos. O principal deles está associado ao caráter profundo da política externa dos Estados Unidos.  É uma política estruturada em duas vertentes. A primeira, econômica, visa essencialmente a abrir espaço para as empresas norte-americanas no mundo. A segunda, geopolítica, visa à confirmação recorrente do poderio militar do país, especialmente depois que apareceu diante dele um rival com poderio nuclear capaz de desafiá-lo, a União Soviética e agora a Rússia.

Tradicionalmente o comando da estratégia norte-americana cabia a geopolíticos, que tinham ascendência sobre os interesses econômicos. Houve exceções, é verdade, como a relacionada com a política imperialista do petróleo. Acontece que petróleo desfruta de duas naturezas, uma geopolítica, por ser um insumo fundamental em termos bélicos convencionais, e outra econômica, pela importância universal de sua cadeia produtiva. Em outras  situações, o intervencionismo americano se deveu exclusivamente à geopolítica, como na América  Central.

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Agora, pela primeira vez na história americana, tem-se um empresário – não um empresário comum, mas um mega-empresário produtivo – no comando da estratégia nacional e imperial. O capital produtivo – sim, é o que ele representa, não Wall Street – não será representado pelos geopolíticos, mas atuará diretamente segundo seus interesses. Muito provavelmente não serão inventadas guerras de honra, como a segunda do Iraque, ou as múltiplas intervenções no exterior, como no caso da chamada Primavera Árabe.

O fato é que, exceto para o complexo industrial-miliar, guerra hoje em dia não dá muito dinheiro. A prova é o sucesso econômico espetacular da China com módicos investimentos militares, em comparação com Estados Unidos. Além do mais, sabe-se desde o plano militar megalômano de Reagan que investimentos bélicos, num mundo de altíssima tecnologia, gera poucos empregos. O material usado são chips, com uma dimensão material muito menor do que a da antiga indústria bélica baseada em canhões, tanques, aviões.

Trump, consciente ou não, vai aplicar seu pragmatismo no espaço que abre para seu país uma real perspectiva de crescimento: Rússia. A relação norte-americana com a China não promete muito mais do que já deu. A indústria dos Estados Unidos está profundamente penetrada em território chinês, e a ideia de fazer isso retroceder não se compatibiliza com a visão pragmática de Trump. Ademais, boa parte dos investimentos americanos na China são de norte-americano vinculados ao Partido Republicano. Mas por aí não dá crescimento.

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Já a Rússia é uma terra virgem a ser conquistada. Tão logo sejam levantadas as estúpidas restrições econômicas que os “estrategistas” americano impuseram ao país, Putin, ele também um pragmático, abrirá as portas ao investimento dos Estados Unidos. Com os recursos naturais que tem e com a mão de obra especializada herdada da União Soviética, a Rússia é um território de conquista sem paralelo para o capital, revertendo sua tendência secular à queda. A meu ver, estará aí o grande espetáculo econômico do século XXI.

Não só isso. A Rússia é a Ásia profunda, que se complementa com a China, a Índia, o Japão. Uma vez retiradas as barreiras geopolíticas idiotas, essa mega-região poderá puxar o mundo para o crescimento, inclusive o Brasil, neste caso se não tiver o terrível azar de ter alguém tão inexpressivo na Presidência, como Temer, e alguém tão despreparado para o cargo de Ministro das Relações Exteriores, como José Serra. E o azar ainda maior de ter por trás deles algo tão desprezível como o sistema de comunicação da Globo e da Veja.

Putin é um ás da estratégia. Tem dado um baile nos geopolíticos americanos na Geórgia, na Ucrânia (Criméia) e na Síria. Não perderá essa oportunidade de por a Rússia na trilha do crescimento. Há ali toda uma infra-estrutura do crescimento que está sendo preparada pela China, a partir da Rota da Seda, assim como uma formidável estrutura de financiamento que inclui Banco Asiático de Investimento, Fundo de Investimento da Rússia, Fundo da Rota da Seda, Cia de Financiamento do Desenvolvimento da Infraestrutura, Novo Banco de Desenvolvimento (BRICS). Diante desse aparato, só continuaremos a aceitar condicionalidades especulativas do Banco Mundial e do FMI se cometermos crimes de lesa-pátria.

26 comentários

  1. Depois do “disclaimer”

    Depois do “disclaimer” …”não vou nem comentar política interna, não me interessa” …não dá nem para continuar a ler o resto do artigo (não sei nem se pode-se chamar isto de artigo). Como assim? Vale tudo? Este é o mesmo “raciocimio” (viva os Titãs!) da ditadura militar. Foi ou não foi um tempo de prosperidade? Ou o Império Britânico, foi ou não foi um tempo de prosperidade? Os anos pré-guerra de Hitler, foi ou não foi um tempo de prosperidade? O Stalinismo, foi ou não foi um tempo de prosperidade? Os tucanos em SP, foi ou não foi um tempo de prosperidade? O interminável governo Franco, foi ou não foi um tempo de prosperidade? O período do Marquês de Pombal no Brasil foi ou não foi um período de prosperidade? Será que Pizarro e Cortes não iniciaram um grande período de prosperidade para a Espanha?  

    • Tirando os tucanos em São

      Tirando os tucanos em São Paulo, o restante foi realmente um tempo de prosperidade. 

       

      Assim como os “Anos Dourados”, na Europa e EUA principalmente (pós guerra de 40 a 80) foram anos de estupendo desenvolvimento econômico, social e tecnológico, baseados em Keynesianismo, Social Democracia e pragmatismo. 

      Acho que a questão do autor é demonstrar que o financismo/neoliberalismo é o real responsável por estar destruindo o mundo, gerando guerras e detonando as conquistas da humanidade no século XX. O neoliberalismo é o inimigo a ser combatido. De que adianta ser “feminista” como Hillary e ser intervencionista e financista? Que feminismo é esse? Não passa de uma fachada.

  2. Como tive a sorte de acertar
    Como tive a sorte de acertar a vitoria de Trump,permito-me fazer algumas observações.Trump ganhou em cima da fraqueza da adversária.Hillary Cllinton não era o que aparentava ser.Desastrada,fútil,uma Barbie perigosíssima.Como Secretária de Estado sempre optou pela solução bélica,em detrimento da diplomacia,pois diplomata nunca foi,diferente do marido.Trump percebeu claramente o discurso difuso de Hillary,encaixou o dele e martelou nele o tempo todo.Convencido que a sociedade americana,ainda traumatizada pelos atentados de 11 setembro de 2001,imprimiu na campanha o discurso bélico e a deportação de emigrantes.Trump nao executará nem 10% do quê prometeu em campanha,por que de bobo nada tem.Boba era a adversária,que não soube desviar das cascas de banana que Trump lhe jogou pelo caminho.O tombo foi feio,e mulher quando caí não tem quem como não rir,por mais que se tente segurar o riso.É o meu caso.

  3. Guerras burguesas objetivam destruir o excesso de produção

    Exceto para o complexo industrial-militar, as guerras atualmente não dão lucro como assim, Cara Pálida?

    Nas sociedades tecnológicas, a guerra não tem a função de dar lucro mas de destruir o excesso de produção e de capacidade produtiva, de forma que a riqueza continue sendo produzida mas não seja distribuída aos que a produzem, pois, com tempo livre e com a distribuição da riqueza aos que a produzem, estes ficariam inteligentes e acabariam com os privilégios da classe que parasita a sociedade.

    “O essencial da guerra é a destruição, não necessariamente de vidas humanas, mas de produtos do trabalho humano. A guerra é um meio de despedaçar, ou de libertar na estratosfero, ou de afundar nas profundezas do mar, materiais que de outra forma teriam de ser usados para tornar as massas demasiado conforáveis e, portanto, com o passar do tempo, inteligentes”. George Orwell – 1984

    Quanto ao Trump, ele nada mais é do que a Hillary de cueca e a Hillary não passa de um Trump de calcinha.

  4. Vai ter que combinar com as mãos que balaçam o berço

    Nossa, esse artigo é mesmo do José Carlos de Assis? Ou tera sido ele abduzido e voltou assim? Eu, hein, esse Trump pintado ai é um cara racional, que paga seus impostos, não é arrogante nem ultra-preconceituoso, não grita a cada dez minutos com seu staff, sabe ler e é capaz de interpretar o que esta lendo… Sobra que quem balança o berço não é mais propriamente Mr. President. Agora, sera que o Putin vai valsar em cima de tudo isso?

  5. A estratégia de poder chinesa

    A estratégia de poder chinesa é econômica. Eles sabem que um dia terão que fazer frente militar aos EUA, mas vão adiar ao máximo enquanto desenvolvem parcerias econômicas e comerciais que levem os seus parceiros a pesar o custo-benefício de um alinhamento automático com os EUA, como sempre aconteceu.

    Estes caminhos já estão bem adiantados e funcionando.

    O cheiro do lucro é um atrativo irresistível e os chineses sabem disso.

    Um bom exemplo é o Banco de Desenvolvimento que eles montaram. Apesar dos apelos dos EUA, os ingleses correram para dentro. É o cheiro do lucro. E depois, o resto dos aliados europeus.

    Em relação à Rússia, o problema é o Putin. 

    Todos esquecem que ele ascendeu pelas mãos de Iéltsin, que era o governante russo dos sonhos dos EUA. Na época, com a Rússia em baixa, quem poderia imaginar que agora estaríamos assim…e o Putin se transformaria tanto.

    A China, Rússia, Irã, países do sudoesta da Ásia, estão se associando para se complementar comercialmente e buscar o lucro.

    Já tem europeus farejando, e se não fosse esta provocação maluca na Ucrânia, que prende a todos, já estariam procurando o seu lugar no trem.

    Os doidos dos EUA provocam a Rússia por que já perceberam que com Putin a trajetória de recuperação (principalmente na capacidade militar) será constante, e os tempos do Iéltsin acabaram. Acham que se correrem dá tempo de ganhar uma guerra contra a Rússia, antes que ela esteja totalmente preparada. Como sempre, antes, tentam dar uma freiada no país com sanções.

    Há algum tempo, Henry Kissinger, um dos ideólogos da atual postura dos EUA, deu volta de 180 graus e preconizou que os EUA ao invés de confronto, deveriam entrar na corrente e colher seus benefícios, não deixando as vantagens para os adversários. Ele não é tolo e já viu os que acontece.

    Trump não tem compromisso com os grupos se beneficiam da atual postura, mas eles não vão largar o osso tão fácil. 

     

  6. Turminha

    Pelo que li até agora, a turminha aqui parece que preferiam a vitória da Hillary.

    Ai detonam o autor do artigo.

    Esses queriam mais do óbvio.

    De Reagan até Obama – Republicanos e Democratas se revezando no poder -, houve alguma diferença?

    Bom, deixa-me explicar, se não vai parecer uma tolice o que eu disse. Republicanos e Democratas se revezando no poder.

    O que eu quis dizer é que desde 1981, quando Reagan tomou posse, até hoje com Obama, a política é a mesma. Consenso de Washington e globalização.

    Ai vem um outsider como Trump, vence, com um discurso sem meias palavras, assustam os sabujos brasileiros como Serra, Temer  o PIG e toda a corja do empresariado nacional, ficam sem discurso e vem o senhor Putin e na primeira hora dirige os parabéns ao topetudo e todo mundo fica meio sem saber o que dizer.

    E eu digo: se o Putin aprovou, e aqui acho que ninguém é ingênuo de dizer que o novo czar russo não é um grande estrategista, então está dito.

    Sou mais Putin.

  7. Sr Assis: quando a tal

    Sr Assis: quando a tal Sherazade colocou nas Mil e Uma Noites, aquela criança dizendo que o rei estava nu, ela quiz dizer-nos que qualquer apreciação teria que ser feita a partir de uma mente limpa e livre de preconceitos. É o presente caso. O Sr. coloca as coisas com uma simplicidade lívida, com uma lógica absolutamente cristalina que me lembrou o menino do conto. Porque se quizermos ver um jegue feliz no sertão, é só colocarmos um óculos verde nele. Agora se olharmos a realidade sem preconceitos no caso por você abordado, ela está absolutamente bem prognosticada. Eu se tivesse umas ações das fábricas de armamentos teria a minha visão obliterada pela ânsia de lucros, mas como não tenho, antevejo como você, um período de relativa paz e progresso nesta humanidade em parte cansada de morte, refugiados, estupros, viuvês, separações e outros crimes a que os falcões condenaram inocentes só para ganharem dinheiro. Áqueles que choram a mudança de atitude do EEUU em relação ao dizímio constante dos pobres inocentes, a esses eu convido a relerem o que escreveram daqui a seis meses. Se eu me enganar não foi por ódio a pessoas INOCENTES que são dizimadas por esse sistema, foi por amor à paz e à humanidade.

    • EM resumo, o Trump é a

      EM resumo, o Trump é a reencarnaçao do Mahatma Gandhi. DAda a forma como o ‘pacifisa’ Gandhi tratava as mulheres, pode até ser…

  8. Trump, Putin e Keynes

    Para quem ainda não entendeu o autor do post é um economista keynesiano. No prefácio a edição alemã de 1936 (quando a Alemanha já estava sob o nazismo) da “Teoria Geral do Emprego”, Keynes escreveu o seguinte: “a teoria da produção como um todo, que é o que o livro se propõe a expor, seria muito mais facilmente adapatada às condições de um Estado totalitário”. EM uma outra versão do mesmo prefácio, que consta de suas obras completas, Keynes escreveu que um estado  totalitário é aquele em que a “staatlich fuehrung’ é mais pronunciada…

    Parece que alguns discipulos levam o mestre muito ao pé da letra…

  9. Apesar de concordar com

    Apesar de concordar com alguns comentaristas quanto à tendência fantasiosa do texto, considero inoportuna esta epinafração ao autor.

    Afinal, em tempos incertos, qualquer especulação é verossímil. Principalmente se considerarmos o apoio que o país do xadrez deu a Trump…

  10. O admirável mundo novo de D. Trump !

    Stephen Bannon: “Uma figura mesmo sinistra” na Casa Branca

    Vai ser o principal estratego de Donald Trump e é acusado de racismo, anti-semitismo e misoginia.

    “Preferia que a sua filha tivesse cancro ou feminismo?” ou “Ergam a bandeira sulista” foram títulos do site Breitbart sob direcção de Bannon 

     

    A escolha de Stephen Bannon, de 62 anos, para ser um dos conselheiros mais importantes do próximo Presidente dos Estados Unidos fez soar um coro de preocupações e críticas. Afinal, Bannon dirigiu um site com títulos exaltando a bandeira sulista após um ataque a uma igreja da comunidade negra de Charleston, chamando “judeu renegado” a Bill Kristol, crítico de Donald Trump, acusando a Administração Obama de estar “infiltrada por apoiantes da sharia [lei islâmica]”, ou ainda questionando quem o lê: “Preferia que a sua filha tivesse cancro ou feminismo?”

    Num artigo de Outubro de 2015, o canal de informação económica Bloomberg não hesitava em classificá-lo como “o operacional político mais perigoso da América”. Isto quando Bannon ainda estava à frente do Breitbart, e nem era claro que o candidato republicano seria Donald Trump.

    Antigos colaboradores de Bannon no Breitbart – que deixou para se juntar à campanha de Trump – descrevem-no como “uma figura mesmo sinistra” que lidera um movimento cheio “de racismo e anti-semitismo”. Os líderes estrangeiros mais ouvidos são pessoas como o populista islamófobo Geert Wilders e entre os mais criticados está a chanceler Angela Merkel, por ter deixado entrar refugiados na Alemanha. O Breitbart, diz o Washington Post, tornou-se um site anti-“globalista” claramente alinhado com a extrema-direita europeia. 

    A organização judaica Anti-Defamation League (ADL) reagiu à escolha de Bannon: “É um dia triste quando um homem que liderou o primeiro site de ‘alt right’ [direita alternativa, que junta supremacistas brancos e outras visões extremistas] é escolhido para ser um importante membro na ‘casa do povo’”, disse o director executivo do grupo, Jonathan Greenblat.

    Bannon tem ainda uma história de apoio a figuras controversas dentro do Partido Republicano (como Sarah Palin) e da direita conservadora (Ann Coulter), assim como de críticas a políticos tradicionais, como John McCain ou Mitt Romney.

    O modo como os republicanos reagirão a este feroz crítico do mainstream é ainda uma incógnita. Muitos escolheram apenas referir a escolha de Reince Priebus, o líder do Comité Nacional Republicano (órgão que organiza a campanha eleitoral do partido), esquecendo Bannon.

    “Já algum republicano criticou a escolha de um anti-semita para um dos cargos mais importantes da Casa Branca?”, questionou o director de comunicações da Casa Branca de Barack Obama, Dan Pfeiffer. “Quantos lhe telefonaram a dar-lhe os parabéns?”

    Bannon foi alvo de palavras duras de John Weaver, que foi conselheiro de McCain e do governador do Ohio, John Kasich. “Só para serem claros, medianoticiosos, o próximo Presidente nomeou um racista, anti-semita como co-chefe de gabinete”.

    Durante a campanha de Trump, soube-se que a ex-mulher de Bannon, que antes o tinha acusado de violência doméstica, mas não compareceu em tribunal no dia do julgamento, lhe imputou afirmações anti-semitas a propósito da escolha do colégio das filhas.

    Em sua defesa veio o republicano Newt Gingrich, argumentado que Bannon não poderia ser anti-semita se tinha trabalhado em Hollywood ou na Goldman Sachs – ou seja, no cinema e finanças, duas áreas associadas, por adeptos de teorias da conspiração, ao poder judaico.

    Antes de se virar para a política – algo que um dia disse, em entrevista, que nunca faria – Bannon estudou em Georgetown e Harvard, e foi oficial da Marinha. É uma figura imprevisível, mesmo para Trump, que um dia, entrevistado para o Breitbart, disse: “És impossível de decifrar, Steve. Mesmo quem pensar que te conhece está a cometer um erro.”

    • Leni Riefenstal do Tea Party

      Bannon foi produtor e diretor de filmes, Andrew Breitbart, o fundador do site de noticias Breitbart definiu Bannon como “Leni Reifenstal do Tea Party”, está o artigo da bloomberg citado no post.

    • Priebus and Bannon

          Apesar de originário do ” Tea Party “, hj. a direita deste movimento, o abomina ( sim, o “Tea Party ” tem uma “direita” mais “direita” ainda), mas a nomeação de Priebus para este importante cargo, não se choca com a ascenção de Bannon a Casa Branca, pois pensando como Trump ( é ele pensa, não é burro ), eles se completam e mostram que o presidente-eleito, administrativamente deseja aproximar-se do Partido Republicano, mas mantendo um estreito contato com seus apoiadores fora do “establishment” , contando com Bannon como seu principal “media man “, um posto que será muito importante para Trump, que em um primeiro momento será atacado fortemente pela “mass media” democrata, e pelos republicanos que não fizerem parte de seu governo, e Bannon “baterá” neles.

           Quanto a Kasich, Weaver, Cruz e outros republicanos, irão apoiar Trump por “gravidade”, até Warren Buffett – um dos maiores financiadores dos democratas – já disse ontem : Vamos trabalhar com Trump, ele é o presidente.

  11. sobre a eleição de Trump

    como todos nós estaríamos se tivéssemos participado de um treinamento em larga escala, numa preparação para um provável conflito com uso de armas de destruição em massa?

    como nos sentiríamos após uma mobilização envolvendo 50 milhões de brasileiros, junto com 250 mil especialistas e 60 mil equipes de resgate e socorro em caso de ataque químico, biológico e nuclear?

    no ocidente e no Brasil todos estamos dentro de uma enorme bolha, mantida pela mídia corporativa, e completamente alienados do crucial momento e de suas fatais conseqüências.

    enquanto o mundo está literalmente à beira de uma guerra, com os ICBM cortando os céus, no Brasil tudo isto parece tão remoto quanto o genocídio do povo sírio. mas mesmo a Síria é aqui:

    “A explosão da violência e das mortes violentas no Brasil tem crescido tanto nos últimos anos, que o total de mortes contabilizadas no país, entre 2011 a 2015, já supera o de mortos na Síria: 278.839 aqui contra 256.124 lá.”

    fonte: https://br.sputniknews.com/brasil/201611116796707-seguranca-violencia-homicidios-taxas-pesquisa-crime-organizado/

    “Quando as relações entre a Rússia e os EUA se desintegram em consequência da escalada na guerra proxy na Síria, a qual culminou hoje com uma paralisação por Putin do esforço de limpeza do Plutónio em conjunto com os EUA , pouco antes de o Departamento de Estado dos EUA ter anunciado que cessaria negociações com a Rússia sobre a Síria, amanhã (5/Out) um número sem precedentes de 40 milhões de cidadãos russos, bem como 200 mil especialistas de “divisões de resgate de emergência” e 50 mil unidades de equipamentos começarão a tomar parte num ensaio com quatro dias de duração de defesa civil, evacuação de emergência e preparação para desastres, informou o ministro russo da Defesa Civil no seu sítio web .”

    Quarenta milhões de russos tomam parte em ensaio de “desastre nuclear”

    – Os media ocidentais praticamente ignoraram esta notícia

    por Tyler Durden

    .

    • Zapad, Vostok e Kavkaz

           A Russia realiza em anos alternados varios exercicios militares, o “ZAPAD” ( região do Baltico – Belarus – Kaliningrado ), o “VOSTOK ” ( extremo oriente ) e o KAvKaz ( Caucaso – Criméia até o Kazaquistão ), e sempre nestas ocasiões foram realizados exercicios conjuntos entre o MinDefesa e unidades do EMERCON ( Ministério de Emergencias ), incluindo medidas relativas a ações nucleares, quimicas e biológicas concernentes as responsabilidades de “defesa civil”.

            O que mudou ? A partir do ZAPAD 2013 e do VOSTOK 2014 ( o maior excercicio militar russo após a “guerra fria” )e no recente KAvKaz 2016, unidades de pronta resposta nuclear táticas foram consideradas como factiveis e passiveis de utilização imediata caso as forças russas fossem atacadas por “armas não convencionais”, ou mesmo se fossem suplantadas no terreno.  Tanto que no BARS 2016 ( agosto ) realizado em conjunto com a Sérvia, como no KavKaz 2016 (setembro ), unidades russas do Comando Estratégico lançaram misseis táticos ( Iskander-M ou SS-26 NATO e Tochka ou SS-21 NATO ) emulando ataques nucleares.

             Portanto, como a utilização de armas nucleares foi contemplada na mais recente estratégia russa, já era aguardado, inclusive programado, até pela NATO, que o EMERCON realiza-se um grande exercicio de defesa civil,relativo a um ataque nuclear , e um exercicio desta amplitude demandou muito tempo para ser montado, inclusive houve convites a observadores externos.

              ICBMs :  A opção “juizo final”, ou seja, a utilização de ICBMs estratégicos, na atualidade não é a que representa o maior perigo – nem um Trump “da vida” terá o controle direto e individual sobre este tipo de armas – o problema mais relevante são os misseis táticos com ogivas nucleares, de ambos os lados que os possuem, pois mesmo que inseridos em uma cadeia de comando, sujeitos a “códigos de ativação”, um comandante de bateria tem acesso a romper estes códigos para emergencias, como a queda da estrutura de comando & controle, e não apenas os russos treinam esta “opção” nuclear, a NATO tambem, e não apenas os norteamericanos sediados na Europa.

      • sobre Trump

        -> um comandante de bateria tem acesso a romper estes códigos para emergencias, como a queda da estrutura de comando & controle

        obrigado pelo detalhamento. posso apenas ser ingênuo ou ignorante. ou mesmo ambos. mas minhas preocupações só aumentaram. deste meu ponto de vista, o perigo maior nunca foi Trump. e sim Hillary. ao menos em relação a uma escalada na Síria, com a utilização de armas nucleares. e com a explosão de um artefato tático, como deter a escalada?

        ainda mais importante do que as possíveis mudanças na geopolítica e economia, a eleição de Trump talvez tenha levantado a ameaça da guerra nuclear, pelo menos no curto prazo.

        ->unidades russas do Comando Estratégico lançaram misseis táticos ( Iskander-M ou SS-26 NATO e Tochka ou SS-21 NATO ) emulando ataques nucleares.

        -> unidades de pronta resposta nuclear táticas foram consideradas  como factiveis e passiveis de utilização imediata caso as forças russas fossem atacadas por “armas não convencionais”

        ou seja, os russos estão seriamente considerando esta hipótese. não consta que treinamento semelhante tenha ocorrido, na mesma proporção, no Ocidente. no Brasil, então…

        parece-me que há uma flagrante e perigosa assimetria no modo de encarar os fatos em curso. daí a ilusória sensação de “tranquilidade” no Brasil, como se a guerra fosse algo remoto e improvável.

        esclareço: nenhuma de minhas considerações sobre Trump implica em qualquer apoio, nem mesmo simpatia. pelo contrário. contudo, prossigo compreendendo que um mundo multipolar seria impossível sob Hillary.

        ainda sobre Trump: muito mais importante do que ele são as forças que garantiram sua candidatura. não me parece crível que ele tenha assumido um discurso tão ostensivo contra o establishment norte-americano sem que setores do próprio establishment não tenham endossado. aqui mais uma vez, há indicações de um fratura interna acerca da inevitabilidade da superação do mundo unipolar. há uma grave crise. e a única oportunidade para lidar com ela passou a ser Trump.

        .

  12. Tivemos aqui

    um estupro  da democracia que gerou o oitavo passageiro que nos comanda.

    Infelizmente nossa Sigourney não venceu.

    Lá não. O cara foi eleito. O Serra que, antes de ministro é coxinha, queimou a língua. O Celso Amorim prefere aguardar.

  13. A atual crise decorre justamente da prosperidade

    Achar que a prosperidade vai resolver os problemas humanos é achar que se combate incêndio com gasolina, tendo em vista que as crises capitalistas decorrem da superabundância, não da escassez.

    “As relações burguesas de produção e de intercâmbio, as relações de propriedade burguesas, a sociedade burguesa moderna que desencadeou meios tão poderosos de produção e de intercâmbio, assemelha-se ao feiticeiro que já não consegue dominar as forças subterrâneas que invocara. De há decênios para cá, a história da indústria e do comércio é apenas a história da revolta das modernas forças produtivas contra as modernas relações de produção, contra as relações de propriedade que são as condições de vida da burguesia e da sua dominação. Basta mencionar as crises comerciais que, na sua recorrência periódica, põem em questão, cada vez mais ameaçadoramente, a existência de toda a sociedade burguesa. Nas crises comerciais é regularmente aniquilada uma grande parte não só dos produtos fabricados como das forças produtivas já criadas. Nas crises irrompe uma epidemia social que teria parecido um contra-senso a todas as épocas anteriores – a epidemia da sobreprodução. A sociedade vê-se de repente retransportada a um estado de momentânea barbárie; parece-lhe que uma fome, uma guerra de aniquilação universal lhe cortaram todos os meios de subsistência; a indústria, o comércio, parecem aniquilados. E porquê? Porque ela possui demasiada civilização, demasiados meios de vida, demasiada indústria, demasiado comércio. As forças produtivas que estão à sua disposição já não servem para promoção das relações de propriedade burguesas; pelo contrário, tornaram-se demasiado poderosas para estas relações, e são por elas tolhidas; e logo que triunfam deste tolhimento lançam na desordem toda a sociedade burguesa, põem em perigo a existência da propriedade burguesa. As relações burguesas tornaram-se demasiado estreitas para conterem a riqueza por elas gerada. – E como triunfa a burguesia das crises? Por um lado, pela aniquilação forçada de uma massa de forças produtivas; por outro lado, pela conquista de novos mercados e pela exploração mais profunda de antigos mercados. De que modo, então? Preparando crises mais omnilaterais e mais poderosas, e diminuindo os meios de prevenir as crises”. – Marx e Engels

    “If we lived in one of Mr. Owen’s parallelograms and enjoyed all our productions in common, then no one could suffer in consequence of abundance, but as long as society is constituted as it now is, abundance will often be injurious to producers, and scarcity beneficial to them”. – Ricardo, On Protection to Agriculture, fourth ed., London, 1822, p. 21.

    A miséria da sociedade burguesa não é consequencia da escassez mas da abundância.

  14. Eu li alguns comentários.

    Não tdodos, estou com o tempo meio escasso. Alguns colegas comentaristas quase espinafraram o Assis, mas eu o entendo. Assis escreveu com a cabeça de economista keynesiano e como tal expôs o seu ponto de vista. A discussão ideológica ou dos achismos ficou em outros posts. Todos sabemos qual é a visão ideológica do Assis. Às vezes é salutar deixar os antolhos da ideologia que usamos para sermos mais racionais. Penso parecido com o Assis.

  15. Desavisado

    O “agorista”, até há pouco “aliancista”, J.C. de Assis parece estar comentando feitos de um César, um Napoleão, um Lênin. Mas todo esse elogio, as loas, vão para Pútin e Trump!

    É se contentar com muito pouco!

    Mas, pudera, de um “desenvolvimentista” (pausas para a gargalhada) que dá apoio ao obscurantista Marcelo Crivella, com mais meia dúzia de ex-esquerdistas, não se pode esperar nada plausível.

    Sem contar afirmações de veracidade duvidosa, como, por exemplo, “…sabe-se desde o plano militar megalômano de Reagan que investimentos bélicos, num mundo de altíssima tecnologia, gera poucos empregos”. Isso é verossímil? Só ele está certo? De onde tirou isso? Eisenhower deve estar se revirando no túmulo.

    Portanto, leitores, não se deixem enganar pelas palavras desse senhor. É puro diversionismo para apoiar autoritarismos e obscurantismos travestido de desenvolvimentismo (mais risos).

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