Rui Daher
Rui Daher - administrador, consultor em desenvolvimento agrícola e escritor
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Anarriê, alavantú XX – Maior em fazer maiores, por Rui Daher

Preocupei-me mais com os outros. Um ninguém, penso me considerarem. Hoje em dia, até mesmo os filhos me acham um rebotalho de Gaza.

Ênio Silveira – Foto de Carlos Freire

Anarriê, alavantú XX – Maior em fazer maiores

por Rui Daher

Na série Anarriê (para trás), Alavantú (para frente), neste GGN, expressões como se faz alegria nas quadrilhas do São João nordestino, e reproduz eventos e personagens históricos do Brasil, algumas vezes dediquei-me a resgatar boas gentes do passado que usando uma língua lusófona, em particular o português, de estrondosa riqueza, facilidade de criação, humor e inteligência, possibilitou essenciais peças da literatura escritas em Portugal, Brasil, Cabo Verde, Angola, entre outras, que hoje podem atingir 230 milhões de pessoas, perto de 3% da população mundial. Não é, pois, uma língua morta, como é morto dizer-se de coisas em que tenhamos realce. E quem vem aqui tem.

Hoje, a coluna traz o editor paulista Ênio Silveira (1925-1996). Depois de estagiar na C.E.N (Companhia Editora Nacional), a maior em livros didáticos, para lá encaminhado por Monteiro Lobato, passa um período, em Nova York, cursando editoração na Universidade de Columbia.

Logo após o final da II Guerra Mundial, recebe convite para assumir a Editora Civilização Brasil, RJ. Alguns anos após, comunista confesso, passa a publicar obras e autores seminais para a defesa ao golpe civil-militar de 1964, em especial a “Revista Civilização Brasileira”, (preservei todos os seus números – um dia, cito aqueles que ali colaboraram e junto com “O Pasquim”, são fatores que deveriam ser reconhecidos como sementes fundamentais para as Diretas-Já e o fim da ditadura, em 1985).

Outro “magnata” do jornalismo e do bem escrever cito o editor, poeta, escritor e jornalista carioca Moacyr Felix (1926-2005), que veio a assumir a “Revista Civilização Brasileira”, e escreveu “Ênio Silveira, Arquiteto de Liberdades” (Ed. Bertrand Brasil, 1998). Magnífico. Acredito os dois assinariam comigo a segunda parte deste artigo.

Uma indignação que só aumenta

Abracadabra. A providência mais clara que tenho de, precisando e querendo, fugir da morte. Usam-na os que não querem encontrá-la antes do tempo. Muitos usam, “graças a Deus”, se cristãos, “graças a Alah”, se islâmicos, outros preferem apelar à ciência médica. Para esta opção, no entanto, é preciso ter dinheiro. Nisto, até aqui fui econômico. Preocupei-me mais com os outros do que comigo. Um ninguém, penso me considerarem. Hoje em dia, até mesmo os filhos me acham um rebotalho de Gaza. Não consigo ganhar dinheiro como Israel faz. Pouco se importam ter sido eu um dos primeiros a escrever condenando o massacre de Netanyahu.

Como leram até aqui, estava eu escrevendo um texto leve para o GGN, até assistir na TV a cenas grotescas do que lá vem acontecendo. Revoltei em meio à delicadeza e veio um ódio que até mesmo crimes contra os judeus, naquele momento, foram relativizados, sendo eu descendente de árabes, considerado a todos irmãos, vários amigos da colônia judaica no Brasil, explodi.

Se Israel é Neta – assassino, merece que existam número maior ainda de grupos terroristas, como Hamas, Al-Qaeda, Estado Islâmico. Se impedem um Estado Palestino, como eles irão se organizar para sua defesa? Não peço honestidade e nem entrego comiseração a quem se esconde debaixo das asas protetoras do maior arsenal bélico do planeta.

Só me vem uma ideia para acabar o massacre como reconhecido pelo diretor judeu de teatro, Gerald Thomas, para impedir sua continuidade, as demais nações comendo mosca como se bem alimentados.

Ao povo palestino resta procurar asas protetoras equivalentes às dos EUA. Que tal uma palavrinha com Xi-Jinping e/ou Vladimir Putin?

Não enfraqueceria a atividade terrorista na região?

Rui Daher – administrador, consultor em desenvolvimento agrícola e escritor

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