O futebol das franciscanas num fim de tarde de domingo, por Rogério Marques

Acho que se eu tivesse pensado em produzir aquele cenário não teria saído tão perfeito. A verdade é que estava tudo pronto. Sem falsa modéstia, qualquer um que estivesse ali e registrasse a cena teria uma boa foto. Bastava "ter olhos de ver".

O futebol das franciscanas num fim de tarde de domingo

por Rogério Marques

Domingo, 21 de fevereiro, começo de noite. Durante uma caminhada no Parque do Flamengo, me surpreendo com uma cena inusitada: três jovens irmãs franciscanas, trajando hábitos, jogavam bola na praia. Fotografei e foi enorme a repercussão da foto, que acabo de usar como capa na minha página do Facebook.

Acho que se eu tivesse pensado em produzir aquele cenário não teria saído tão perfeito. A verdade é que estava tudo pronto. Sem falsa modéstia, qualquer um que estivesse ali e registrasse a cena teria uma boa foto. Bastava “ter olhos de ver”. 

Enquanto três irmãs se divertiam jogando bola, outras conversavam e faziam um lanche sentadas em uma toalha na areia. A praia estava vazia, porque havia chovido pouco antes, o que destacou as religiosas. Para completar, uma das paisagens mais bonitas do mundo emoldurava a cena — a Baía de Guanabara, o Morro Cara de Cão e o Pão de Açúcar com o topo encoberto por nuvens.

A imagem provoca reflexões: o jogo de bola contrasta com os hábitos que, em plena praia carioca, encobrem o corpo inteiro daquelas jovens que aparentavam uns 20 anos. Juventude, voto de pobreza, celibato, cada vez mais questionado até mesmo em setores da Igreja Católica. Tudo está ali naquela imagem.

Apesar da rigidez das roupas, dos hábitos, as franciscanas transmitiam uma religiosidade descontraída, sem homilias sonolentas, mais perto do povo. E é o que elas fazem em seu trabalho diário nas ruas com os pobres, os sem teto, os dependentes químicos. São vinculadas ao grupo franciscano Fraternidade O Caminho, presente em vários países. Elas têm como base de atuação a Casa de Missão Feminina Fraternita Nossa Senhora do Carmo, na Rua Santo Amaro, 116, bairro da Glória, Zona Sul do Rio.  

Depois da foto conversei ligeiramente com as moças, todas elas alegres, simpáticas. Que façam muitos gols no importante trabalho que desempenham junto a esse povo sofrido e cada vez mais numeroso que não tem onde morar.  

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