Ministros do STF se manifestam após vídeo de Bolsonaro

Gilmar Mendes exige que instituições sejam respeitadas; Marco Aurélio minimizou questão e diz que país “tem problemas mais sérios a serem tratados”

Enquanto ministro Gilmar Mendes (esq.) pede respeito às instituições, ministro Marco Aurélio Mello minimiza questão.

Jornal GGN – O vídeo que o presidente Jair Bolsonaro disseminou em suas redes sociais – onde seus apoiadores são conclamados a participar de manifestação pró-governo e contra o Congresso em 15 de março – foi alvo de críticas e ponderações por parte dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

O ministro Gilmar Mendes foi um dos que se manifestou a respeito. Ele divulgou em suas redes sociais uma mensagem pedindo a defesa das instituições e a separação dos Poderes.

“A CF88 [Constituição Federal de 1988] garantiu o nosso maior período de estabilidade democrática. A harmonia e o respeito mútuo entre os Poderes são pilares do Estado de Direito, independentemente dos governantes de hoje ou de amanhã. Nossas instituições devem ser honradas por aqueles aos quais incumbe guardá-las”, escreveu Gilmar no Twitter.

Segundo o jornal Folha de São Paulo, o decano do STF, ministro Celso de Mello, encaminhou nota à coluna da jornalista Mônica Bergamo onde diz que, caso a conclamação seja confirmada, ela mostra “a face sombria de um presidente da República que desconhece o valor da ordem constitucional, que ignora o sentido fundamental da separação de Poderes, que demonstra uma visão indigna de quem não está à altura do altíssimo cargo que exerce e cujo ato de inequívoca hostilidade aos demais Poderes da República traduz gesto de ominoso desapreço e de inaceitável degradação do princípio democrático!!!”.

Por outro lado, a questão foi minimizada pelo ministro Marco Aurélio Mello. Para ele, diante do conteúdo avaliado, pode-se dizer que Bolsonaro não fez convocações para as manifestações.

“Não chamou, não chamou (manifestações). Você vendo o que se veiculou, hora alguma, ele, de viva voz chamou para estar na rua; Vamos dar um desconto e ser positivos, que o Brasil tem problemas mais sérios”, disse o ministro em entrevista ao jornal Correio Braziliense, ressaltando que existem assuntos de maior relevância a serem tratados no momento.

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6 comentários

  1. Segundo um ministro do STF: …”existem assuntos de maior relevância a serem tratados no momento.”
    Quais?
    Quais problemas seriam maiores que um insano habitando o planalto sr. Ministro?

    • Concordo, o maior problema é o habitante do planalto. Mas bem que eles poderiam começar, “no momento”, a julgar a suspeição de um certo ministro.

  2. Situação complicada…
    Quando o STF fechou os olhos a Dilma, essa possibilidade estava inclusa no pacote do golpe…
    Somente os tolos não viram isso…
    Dilma profetizou que não ficaria pedra sobre pedra.
    Nem mesmo ela poderia imaginar isso…
    O STF será humilhado…
    As pessoas, os grupos que estão sendo beneficiados por tudo isso não jogam limpo!
    Nem banqueiros, nem milicianos vão aceitar retrocesso em suas ambições!
    Banqueiros que não se incomodam de mandar milhões de pessoas para a miséria ou milicianos que cravam bala na cara de quem entra em seu caminho, vão aceitar tranquilamente?
    O Ministério público vai entender na pele o que significa “parasitas” do serviço público, se não se curvarem ao que está ai…
    A vaca do brasil foi pro brejo…

  3. O Brasil não irá para o brejo; nós já estamos nele. A partir de agora, poderemos entrar mais fundo no pântano do vale tudo. Afinal, qual a instituição brasileira que não foi cúmplice ou agente do golpe de 2016? Pouquíssimas. A remoção paulatina dos valores civilizatórios para supostamente combater a corrupção (dos outros) e implantar um liberalismo de fancaria em nossa terra estão fazendo com que esta terra seja cada vez menos nossa. Em breve, o cenário será o do filme Mad Max. Nada irá assegurar nossa segurança dentro e fora de “nossas” residências. Quando a cidadania é privatizada, nós temos que pagar para exercer os parcos direitos de ir e vir, privacidade, segurança patrimonial, saúde, educação etc. Bem-vindos ao inferno: Pátria amada Brasil!

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