Mãe de garoto de 10 anos morto pela PM diz que ele não sabia dirigir

Jornal GGN – Ítalo Ferreira de Jesus Siqueira, de 10 anos, foi morto na noite desta quinta (2) durante ação policial na Zona Sul de São Paulo. Segundo a polícia, ele furtou um carro junto com um colega em um condomínio de luxo, e foi morto após atirar nos policiais durante perseguição. Sua mãe, Cíntia Ferreira Francelino, questiona a versão da polícia, afirmando que ele não sabia atirar muitos menos dirigir um carro. 

No boletim de ocorrência registrado na delegacia, o menino de 11 anos que estava com Ítalo confirma a versão, afirmando que Ítalo estava com uma arma de fogo, e que o teria convidado para roubarem um prédio no Campo Limpo. Imagens de câmera de segurança mostram a perseguição e que os ocupantes do carro foram abordados antes de saírem do veículo.

Moradores do Morro do Piolho, onde Ítalo morava, afirmam que ele não andava armado e duvidam da versão oficial. “Como é que uma criança de dez anos pula um muro de condomínio e sai com um carro de luxo? Como uma criança de dez anos vai trocar tiros com a polícia. Ele não tinha arma. Nem arma de brinquedo”, disse uma amiga da vítima.

Do G1

‘Por que fizeram isso com ele?’, diz mãe de menino morto pela PM em SP
 
Ítalo Siqueira, de 10 anos, morava em comunidade da Zona Sul de SP. Polícia Militar diz que ele e outro menor furtaram carro e trocaram tiros.
 
A mãe de Ítalo Ferreira de Jesus Siqueira, de 10 anos, chorou ao chegar ao Instituto Médico Legal para reconhecer o corpo do garoto morto pela Polícia Militar com um tiro na cabeça em um suposto confronto(veja no vídeo acima). A PM diz que ele e outro garoto, de 11 anos, furtaram um carro e atiraram após reagir a uma perseguição.

“Meu Deus, o Ítalo só queria cantar, o negócio dele era cantar. Ele só queria atenção, meu Deus, por que fizeram isso com ele, moço, me ajuda. Me ajuda pelo amor de Deus, gente. Ajuda eu moço, pelo amor de Deus, põe esses polícia na cadeia, me ajuda. Ô gente, pelo amor de Deus, meu filho só tem 10 aninhos”, disse Cintia Ferreira Francelino, de 29 anos, mãe de Ítalo.

“Hoje em dia toda criança quer ser funkeiro. Ele queria cantar, ele queria ser uma criança feliz, tiraram a felicidade do meu filho. Ele queria cantar, MC Ítalo.”

A mãe não acredita que o filho estava com a arma. “Eu preciso ajudar meu filho, ele é uma criança de 10 aninhos, ele não ia saber atirar, é uma 38. Eles que colocou, eu tenho certeza que eles que colocou. A arma é dos policiais, eu quero fazer a digital”, disse Cintia.

A mãe diz que Ítalo morava com a avó. Moradores afirmaram que ele morava com uma tia. “Fiquei uns tempos viajando, ele ficava com a avó dele. Daí ele ficava na rua. Ele não sabia nem dirigir, ele tem 10 anos, não tem como saber dirigir”, disse a mãe.

Na noite desta quinta-feira (2), Ítalo foi baleado e morreu. Ele era suspeito de invadir um condomínio na Zona Sul da cidade e furtar um carro. Um menino de 11 anos que estava dentro do veículo foi detido por suspeita de participar do furto e do tiroteio.

Na presença da mãe, no Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), o amigo de Ítalo disse que o garoto disparou em direção aos policiais. No boletim de ocorrência (BO) registrado na delegacia, o menino disse que foi procurado por Ítalo, que estava com uma arma de fogo, e que o teria convidado para roubarem um prédio no Campo Limpo, onde moravam pessoas “de posse”.

Imagens de câmeras de segurança obtidas pelo SPTV mostram a perseguição policial a um carro roubado. O veículo perde o controle, e os policiais abordam os ocupantes.

Morte chocou comunidade
Os moradores do Morro do Piolho, na Zona Sul de São Paulo, disseram ao G1 que Ítalo não andava armado. No boletim de ocorrência foi registrado “homícidio decorrente de oposição à intervenção militar”.

“Eles não tinham dinheiro nem para comer, como iam comprar uma arma?”, questiona um morador, que prefere não se identificar.

Segundo os moradores da comunidade, Ítalo morava com uma tia. Procurada pela reportagem, ela não quis dar entrevista porque disse que estava muito abalada. A família forneceu uma foto do menino.

Boletim de ocorrência registrou a morte como homício decorrente de oposição à intervenção policial (Foto: Kleber Tomaz/G1)
 
Boletim de ocorrência registrou a morte como homício decorrente de oposição à intervenção policial (Foto: Kleber Tomaz/G1)

Vizinhos relatam que Ítalo engraxava sapatos para ganhar dinheiro. Um menino que engraxava junto com ele conta que eles trabalhavam em lugares como o Aeroporto de Congonhas e na Avenida Luís Carlos Berrini. “Ele era um menino da hora, jogava bola com nós, nunca ia fazer isso”.

Ítalo gostava de soltar pipa e jogar vídeo game em uma lan house. “Era um moleque calmo, brincalhão. Era uma boa pessoa. Nunca foi envolvido com crime. Morava com a tia dele”, disse o mecânico Roberto Pereira dos Santos.

Segundo os moradores, nesta quinta-feira (2), Ítalo estava brincando com uma fogueira. Depois, um vizinho lhe deu comida. “Ele foi na minha casa ontem, dei um prato de comida para ele. Em nenhum momento ele falou que iria roubar. Dei até um conselho: ‘Se cuida, mano'”, disse o vizinho.

Amigo de ítalo engraxate (Foto: Kleber Tomaz/G1)

Na comunidade, os relatos contam que ele era conhecido por cometer furtos com outra criança fora da comunidade. Em condomínios, furtavam objetos que estavam à vista, como bicicletas. Mas os moradores insistem que ele não era violento.

“Como é que uma criança de dez anos pula um muro de condomínio e sai com um carro de luxo? Como uma criança de dez anos vai trocar tiros com a polícia. Ele não tinha arma. Nem arma de brinquedo”, diz uma amiga da vítima.

“Ele não sabe mexer em arma. Ele é uma criança que sempre foi atrás dos objetivos dele. Trabalho toda criança dá. O que fizeram foi uma fatalidade”, afirmou uma vizinha.

Suposto confronto
Segundo o Bom Dia SP, a versão dos policiais militares para explicar o que aconteceu é a de que eles estavam patrulhando a Rua José Ramon Urtiza, na Vila Andrade, por volta das 19h, quando viram um veículo furtado ocupado por duas pessoas.

De acordo com os policias, durante a perseguição da viatura da PM ao carro furtado, um dos garotos que conduzia o veículo perdeu o controle e bateu em um ônibus. Em seguida, os policiais disseram que foram recebidos a tiros pelos menores quando iam fazer a abordagem ao carro roubado. No revide, o garoto de 10 anos foi atingido e morreu.

O menino de 11 anos acabou detido e apreendido. Segundo a polícia, ele portava uma arma.

O caso seria registrado no 89º Distrito Policial, no Portal do Morumbi, mas acabou levado para o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) pelo fato de envolver policiais.

Na comunidade, os relatos contam que ele era conhecido por cometer furtos com outra criança fora da comunidade. Em condomínios, furtavam objetos que estavam à vista, como bicicletas. Mas os moradores insistem que ele não era violento.

“Como é que uma criança de dez anos pula um muro de condomínio e sai com um carro de luxo? Como uma criança de dez anos vai trocar tiros com a polícia. Ele não tinha arma. Nem arma de brinquedo”, diz uma amiga da vítima.

“Ele não sabe mexer em arma. Ele é uma criança que sempre foi atrás dos objetivos dele. Trabalho toda criança dá. O que fizeram foi uma fatalidade”, afirmou uma vizinha.

Suposto confronto
Segundo o Bom Dia SP, a versão dos policiais militares para explicar o que aconteceu é a de que eles estavam patrulhando a Rua José Ramon Urtiza, na Vila Andrade, por volta das 19h, quando viram um veículo furtado ocupado por duas pessoas.

De acordo com os policias, durante a perseguição da viatura da PM ao carro furtado, um dos garotos que conduzia o veículo perdeu o controle e bateu em um ônibus. Em seguida, os policiais disseram que foram recebidos a tiros pelos menores quando iam fazer a abordagem ao carro roubado. No revide, o garoto de 10 anos foi atingido e morreu.

O menino de 11 anos acabou detido e apreendido. Segundo a polícia, ele portava uma arma.

O caso seria registrado no 89º Distrito Policial, no Portal do Morumbi, mas acabou levado para o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) pelo fato de envolver policiais.

Segundo policiais civis ouvidos pelo Bom Dia São Paulo, o garoto de 11 anos confessou que ele e Ítalo se conheciam e pretendiam assaltar um edifício, mas desistiram após verem um carro com o vidro aberto. Então decidiram furtar o automóvel.

A polícia também informou que o menino admitiu que ele e o colega atiraram contra os policiais.

Como é menor de idade, o menino de 11 anos acabou liberado do DHPP na companhia da mãe. A idade mínima de internação na Fundação Casa é de 12 anos. A Fundação aplica medidas socioeducativas para menores infratores.

Sem gravar entrevista, a mãe do menino de 11 anos disse à equipe de reportagem que não consegue controlar o filho. A mulher já teria passagem pela polícia. O pai do garoto está preso. O dono do veículo furtado foi localizado pela polícia.

18 Comentários

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Vagalume do Brejo

- 2016-06-04 19:10:57

Pixote  

Pixote

 

[video:https://www.youtube.com/watch?v=TCCK3k0OKtc]

Vagalume do Brejo

- 2016-06-04 19:09:28

O caso do perigoso menino de

O caso do perigoso menino de 11 anos.

 

Pixote?!

Acho que não voltamos no tempo, na realidade nunca saimos de 64!

 

Pedro Mundim

- 2016-06-04 19:07:19

Não, não estava

Não, não estava, por isso não dei pitaco sobre o que de fato aconteceu.

Adelmo Vieira

- 2016-06-04 03:18:25

morte do garoto

 

Toda e qualquer abordagem das forças de segurança deveriam ser registradas em vídeo para servir de provas incontestes de que foi legitima, alguns do contra dirão que é impossível, mas é bom lembrar que há hoje mais celulares com câmeras do que habitantes no país, então o que impede que a industria adapte dispositivos semelhantes no armamento oficial? Dessa forma poderia a sociedade condenar ou congratular o agente sem nenhuma dúvida e a justiça não teria motivos para ser tão "burocrática". Outra coisa, crianças fora da escola pelo menos por 8h diárias deveria ser atentado a segurança nacional (e na verdade o é!). A nação deveria tratar esse assunto com uma questão de guerra, mobilizando toda a população a esse propósito e direciona-los a educação nem que seja a força e bem que as polícias poderiam também fazer esse papel, acredito que em 15 anos teríamos mudanças significativas no país e fatos como esses tão corriqueiros hoje tornariam-se raridades. 

Mariano S Silva

- 2016-06-04 02:48:10

Tem uma linda foto de um PM

Tem uma linda foto de um PM de São Paulo se borrando de medo de um homem negro com quase o dobro do tamanho dele e que era também um "armário". Esses eles respeitam...

Ainda ei de ver uma mulher lutadora profissional meter a porrada num policial desses que a agredir...

saulogeo

- 2016-06-04 02:09:46

No BO

No BO consta:

Ocorrência: 19:00

Comunicação: 00:23

Isto é normal?

Não vai aparecer mais imagens de câmeras?

Não haverá testemunhas que confirmem ou não, se o garoto atirou?

Exame residuográfico?

Saber da situação escolar e do comportamento, poderia ajudar.

O Funk incentiva comportamentos criminosos?

veranis

- 2016-06-04 01:15:40

Segundo  a folha a polícia

Segundo  a folha a polícia atirou por que sim, não foram recebidos a bala após a batida.

veranis

- 2016-06-04 01:13:13

A folha mostrou uma nova

A folha mostrou uma nova versão da situação. Os garotos roubaram, a arma foi disparada durante a fuga, mas a polícia matou o menino depois da batida sem que ele houvesse atirado e ainda bateu no que sobrou e certamente o obrigou a livrar a cara dos policiais. O triste é ver o histórico dos pais do menino morto. Traficante o pai e ladra a mãe, ambos já presos. A criança não tinha nenhum suporte familiar. O segundo menino, pelo menos a mãe não tem condenações ou passagem pela polícia. Criança solta no mundo, sem alimentação, sem apoio a não ser de vizinhos, desgraça anunciada. O segundo menino para não ser morto pelos policiais, vai entrar no programa de proteção à testemunha. Como eu disse, polícia de alckmin causa mais medo que bandidos. Isso se essa versão não mudar de novo e se descobrir que a arma era dos policiais. Uma desgraça muito grande o destino de muitas crianças brasileiras. Que Deus guarde essa pobre criança que se foi e proteja a que ainda está viva e lhe dê melhor destino. 

Ulisses s

- 2016-06-03 22:40:48

E você estava?

Modere seus comentários trogloditas. 

Renato Lazzari

- 2016-06-03 22:28:08

Aí que está: onde os direitos

Aí que está: onde os direitos humanos são respeitados talvez se possa condenar menores de idade porque eles não serão tratados como lixo nas cadeias, não terão suas vidas completamente estragadas e, com esforço, talvez até readquiram direito à liberdade, se refaçam. Mas aqui, se se permitisse condenações de menores, as cadeias ficariam (mais) lotadas de tantos pobres pretos... ou melhor, pobrinhos pretinhos.

Não dá para mudar um lado sem mudar o outro.

veranis

- 2016-06-03 22:08:36

QUEM ACREDITA NA POLÍCIA

QUEM ACREDITA NA POLÍCIA MALDITA DE ALCKMIN? EU CERTAMENTE NÃO, E TENHO PROFUNDO PAVOR DESSES MELIANTES.

Pedro Mundim

- 2016-06-03 21:57:36

Você estava lá para ver?

Você estava lá para ver se os policiais não foram mesmo recebidos à bala?

Crianças de até 10 anos portando armas são uma coisa absurda, mas existe sim. Conhecidos meus que estiveram em favelas já viram crianças que pareciam ter essa idade com armas.

Pedro Mundim

- 2016-06-03 21:55:18

O absurdo do ECA

O mais absurdo disso tudo é o ECA não permitir medida alguma com alguém menor de 12 anos de idade. Em outros países, menores de 12 anos podem até ser condenados á prisão perpétua, e estou falando de países adiantados e respeitadores dos direitos humanos, como a Inglaterra. Aqui, o garoto infrator foi entregue à mãe, que declarou que não consegue controlar o filho. Precisa dizer mais?

Renato Lazzari

- 2016-06-03 21:20:58

Lembrei do conto "A

Lembrei do conto "A Proposta", dos "Relatos Selvagens"...

Ricardo Cesar

- 2016-06-03 21:08:10

E são com esses policiais

E são com esses policiais militares que os coxinhas da paulistra gostam de serem fotografados! Se merecem! Usando a frase da hora: é preto? Pobre? Não vem a caso!

Gil Teixeira

- 2016-06-03 19:41:02

É!

Assianaram a lei áurea e esqueceram de desmobilizar os capitães do mato!

Maria Luisa

- 2016-06-03 19:19:01

O genocidio dos meninos mestiços e negros

Até quando mães e pais, que ja sofrem a herança da miséria social, vão chorar e gritar por justiça? Dois meninos de 11 e 10 anos dirigindo e atirando? A gente até entende que muita coisa é possivel, mas ha limites. E de toda forma, porque a policia precisa sempre matar antes de qualquer outra tentativa de parar um carro? No Brasil a policia tornou-se bandida, assassina diariamente os pobres e miseraveis e entrega numa bandeja para que a "elite" se sinta aliviada.

evandro condé de lima

- 2016-06-03 18:51:57

O último parágrafo diz muito

Atenção patrulheiros, só estou mostrando que há uma história mais cruel que a morte simplesmente.

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