5 de junho de 2026

Detetives encontram rastros digitais dos responsáveis pelo QAnon

Machine learning permite a duas equipes encontrarem homens que são prováveis autores de mensagens que impulsionaram movimento
Photo by Markus Spiske on Unsplash

Duas equipes de linguistas forenses conseguiram encontrar os rastros dos autores das primeiras mensagens que impulsionaram o avanço do movimento agora conhecido como QAnon.

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Reportagem do jornal The New York Times aponta o desenvolvedor de software sul-africano e jornalista de tecnologia Paul Furber como autor das primeiras mensagens que impulsionaram o movimento, em 2017.

Outro nome que ajudou a disseminar os conteúdos conspiratórios é o de Ron Atkins, responsável por um site onde as mensagens Q começaram a aparecer, em 2018, e que agora concorre ao Congresso no Arizona.

Ambos negam envolvimento com o movimento, mas Furber afirmou em entrevista que as postagens de Q o influenciaram de tal forma que seu estilo de prosa foi alterado.

“Os estudos fornecem a primeira evidência empírica de quem inventou o mito tóxico do QAnon, e os cientistas que conduziram os estudos disseram esperar que desmascarar os criadores possa enfraquecer seu domínio sobre os seguidores do QAnon”, diz a reportagem, ressaltando que os cientistas da computação usam o chamado machine learning para encontrar padrões sutis que não podem ser encontrados em uma leitura mais casual.

Segundo a reportagem, Furber estava fascinado com teorias da conspiração e a política norte-americana – além de se apegar ao chamado “Pizzagate”, ele estava entre aqueles que pegaram uma mensagem subliminar na chamada “Operação Mockingbirg”, um suposto esquema da CIA para manipular a mídia de notícias.

De acordo com as equipes de linguistas forenses, Furber desempenhou o papel principal em escrevê-la, e Watkins parece ter assumido seu lugar no começo de 2018.

As duas análises – uma de Claude-Alain Roten e Lionel Pousaz da OrphAnalytics, uma start-up suíça; o outro pelos linguistas computacionais franceses Florian Cafiero e Jean-Baptiste Camps — foram elaboradas sobre formas estabelecidas de linguística forense que podem detectar variações capazes de apontar a mesma mão em dois textos.

Além de divulgar mensagens apontando o ex-presidente Donald Trump como salvador do mundo, muitos dos adeptos do QAnon estavam entre aqueles que invadiram o Capitólio no ano passado, e o FBI considera o movimento “uma potencial ameaça terrorista”.

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