21 de maio de 2026

As estratégias jurídicas de Tanure e Daniel Dantas, por Luis Nassif

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Antes da grande guerra em torno das teles, tive uma última conversa com o banqueiro Daniel Dantas, do Banco Opportunity. Foi em um café da manhã em um hotel da Paulista.
 
No meio do café, Dantas ficava com olhar vago, não se fixando em nada, como se tivesse pensando em voz alta. E falava da estratégia de seu conterrâneo Nelson Tanure, de usar as ações judiciais como parte de uma estratégia comercial. Tanure entrava em uma empresa em dificuldades, comprava participação, depois criava todo tipo de obstáculo para vender caro a retirada. 
 
Foi assim com o Banco Boa Vista, adquirido pelo Bradesco.
 
Dantas reclamava que seus advogados não conseguiam sair da letra fria da lei e pensar estrategicamente, usando as ações como um elemento a mais.

 
Na grande batalha da Satiagraha, Dantas usou armas mais potentes. De um lado, um enorme imbróglio jurídico para vender caro sua participação. De outro, a compra despudorada de apoio da mídia, com 12 páginas de publicidade na Veja, casando com artigos em sua defesa.
 
Agora, na disputa pela Oi, Tanure repete sua estratégia habitual. Adquiriu posição acionária na bacia das almas e dificultará ao Máximo qualquer solução. E, para a parte jornalística, contratou o ex-diretor de redação de Veja, Eurípides Alcântara, que estava no comando da revista na época da parceria com o Opportunity, com rendimento de R$ 100 mil mensais. 
 
Como diretor da revista, Eurípides conseguiu perder batalhas jornalísticas mesmo estando no comando de uma máquina de guerra. Em seu período produziu capas como as contas falsas no exterior, a invasão das FARCs, o dinheiro de Cuba, o grampo no Supremo.
 
Agora, na infantaria do lobby, ainda não se tem clareza sobre qual a estratégia que montou para Tanure, já que o álibi do macartismo não se aplica nesse jogo. E a Veja tenta de todo jeito se desfazer da herança complexa daqueles tempos.
 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Rei

    19 de novembro de 2017 2:05 pm

    Bandidos do Sistema Financeiro: hora de movimentar nas sombras!!

    Sinceramente, acho que essa estratégia tende a ser um fracasso. Houve um desgaste de material gigante nesse jornalismo estilo Veja… as opções genéricas também são uma lástima.

    Duvido que o Eurípedes vai se distanciar muito do formato “Antagonista/Empiricus com doses de MBL” para tentar essa jogada.

    Aguardo ancioso por mais esse fracasso… porém, parece que até quando fracassam esses babacas saem ganhando.

    O governo Temer mandou um recado para as ordas de bandidos do sistema financeiro: É HORA DE MOVIMENTAR, SEJAM RÁPIDOS!!!

  2. alfredo sternheim

    19 de novembro de 2017 2:46 pm

    Poder predatório

    Me causa espento ver que o empresário Nelson Tanure continua na ativa. Por volta de 2008 e 2009, a empresa que ele presidia tinha, entre outras publicações, algumas da editora Peixes. Como a revista SET onde eu escrevia. No final, deixei dere receber pelos meus textos apesar de emitir nota fiscal. Levei calote de 4 mil e ainda paguei imposto sobre esse valor.  Não entrei na Justiça porque ela é lerda e dispendiosa. Alguns jornalistas assim fizeram até início deste ano, eles e outros ainda não tinham visto a cor do dinheiro. Por essa pasagem pela que teve na Gazeta Mercantil e no Jornal do Brasil, o sr. Nelson Tanure me parece ser um empresário ambicioso e com muito dinheiro para pagar essa importância ao jornalista Euripides, mas que passa longe do viés social, do respeito ao trabalho dos outros. O seu poder resulta predatório. Triste.

  3. Regenste

    19 de novembro de 2017 9:09 pm

    Nassif:

    esta matéria é daquele tipo que diferencia o teu jornalismo dum grande resto e te coloca em escassa companhia:
    poucos parágrafos sintetizam várias histórias relevantes para análise deste momento.

    Obrigado 

Recomendados para você

Recomendados