9 de junho de 2026

Ministério Público vai investigar captura de dados e disparos em massa na eleição

Folha de S. Paulo revelou que empresas continuam oferecendo bando de dados e disparos em massa de mensagens eleitorais, mesmo após o TSE ter proibido a prática

Jornal GGN – O Ministério Público da 1ª e 2ª zonas eleitorais, em São Paulo, instaurou um procedimento de investigação sobre a captura de dados privados de usuários de redes sociais sem consentimento, a venda de banco de dados e disparo de mensagens eleitorais em massa, por empresas que continuam vendendo esses serviços para candidatos, embora o Tribunal Superior Eleitoral tenha vedado a prática em 2019.

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Na terça (6), Folha de S. Paulo revelou que ao menos cinco empresas foram denunciadas por candidatos que foram abordados com a oferta dos serviços irregulares.

De acordo com a repórter Patrícia Campos Mello – que revelou o caixa 2 no WhatsApp em favor de Jair Bolsonaro em 2018 – o promotor de Justiça Fabio Bechara, da 1ª zona eleitoral de São Paulo, disse que os disparos em massa podem ter violado a legislação eleitoral e a Lei Geral de Proteção de Dados.

O MP também expediu recomendação aos partidos e candidatos, avisando que contratar esse tipo de serviço é crime e pode levar à cassação da chapa eleita.

AS REVELAÇÕES

O Tribunal Superior Eleitoral proibiu em 2019 o disparo em massa de mensagens eleitorais. Mas empresas privadas continuam operando à margem da lei, oferecendo não apenas a venda de banco de dados obtidos de maneira irregular, mas também softwares que facilitam a captura de dados privados de usuários das redes sociais, além de instrumentos que mascaram a automação do envio das mensagens, burlando as regras do WhatsApp. É o que revela reportagem da Folha de S. Paulo desta terça (6).

Somente uma das empresas identificadas já vendeu os serviços para 700 candidatos que disputam a eleição de 2020, por menos de R$ 700,00.

Além de sequestrar dados privados de usuários que usam qualquer tipo de hashtag que interesse aos candidatos, um dos softwares oferecidos consegue “evitar o banimento dos chips pelo WhatsApp ao fazer os envios massivos.”

Uma das empresas do ramo, a BomBrasil, cobra R$ 1,8 mil por um banco de dados com 20 mil contatos. Se o candidato quiser que a BomBrasil cuide dos disparos em massa, cada mensagem enviada sai por 0,12 centavos. Procurada, a empresa informou que é “apenas afiliada da Housoft, a fabricante dos softwares que permitem extração de dados e envio em massa.”

Leia mais:

Indústria do disparo em massa segue interferindo na eleição, sob o nariz do TSE

 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
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  1. Cesar

    7 de outubro de 2020 12:22 pm

    Quando acabar esta investigação os beneficiados ja terão tomado posse e fica tudo dito pelo nao dito, acredite se quiser.

  2. fel

    7 de outubro de 2020 12:39 pm

    O que que um tribunal comandado por um cara que nem o barroso é capaz de fazer contra os fascistódes do brasil atual? Uma das poucas coisas “boas” deste momento que passamos é que as máscaras caíram todas. Nisto aqui chamado brasil não há justiça, jornalismo, parlamento ou qualquer coisa que se possa chamar de instituição real. Acabou !!!!!

  3. peregrino

    7 de outubro de 2020 1:08 pm

    Em época de eleições ninguém respeita ninguém neste país…
    se a própria eleição ocorre na base da trambicagem ou jogo sujo, fora das regras e sem que MP e TSE consigam se impor quanto a isso, imagina o exercício do cargo

    é por isso que nada melhora nesse país, pela facilidade em não se respeitar nada

  4. Nabantino Gonçalves

    7 de outubro de 2020 1:51 pm

    Que beleza, finalmente a justiça será feita!

    Nesse meio tempo esperemos.

    Esperemos sentados.

    Esperemos sentados à sombra.

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